O Brasil enfrenta um cenário de alerta após o aumento expressivo de casos de intoxicação por metanol. De acordo com o Ministério da Saúde, já são 59 suspeitas registradas, número que ultrapassa em mais do dobro a média anual do país, que gira em torno de 20 casos.
Do total, 39 ocorrências foram registradas em São Paulo, sendo dez confirmadas e 29 ainda em investigação. Em Pernambuco, há quatro casos em análise. Uma morte já foi confirmada pelo governo federal no estado de São Paulo. Outros sete óbitos seguem em investigação — dois em Pernambuco e cinco em São Paulo.
“Estamos diante de uma situação anormal e diferente de tudo o que consta na nossa série histórica em relação à intoxicação por metanol no país”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva.
Investigações em andamento
A Polícia Federal conduz as investigações sobre o caso. Há indícios de que uma organização criminosa esteja envolvida na adulteração de bebidas alcoólicas, o que pode ter provocado a onda de intoxicações.
Sala de Situação
Para monitorar e articular as medidas de resposta, o Ministério da Saúde instalou, na última quinta-feira (1º), uma Sala de Situação extraordinária. O espaço reúne representantes de diferentes órgãos: os ministérios da Saúde, Justiça e Segurança Pública, Agricultura e Pecuária; os conselhos Nacional de Saúde (CNS), Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems); a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); além das secretarias estaduais de Saúde de São Paulo e Pernambuco.
O grupo vai atuar no acompanhamento sistemático dos casos, além de planejar e coordenar medidas de controle enquanto houver risco sanitário.
Impacto nas periferias e favelas
Esse tipo de adulteração de bebida alcoólica costuma atingir de forma mais direta moradores de periferias e favelas, onde o consumo de bebidas mais baratas é comum e os riscos de falsificação são maiores. A crise evidencia a importância de políticas públicas voltadas para o controle rigoroso da produção e comercialização de bebidas, especialmente nas regiões populares, a fim de evitar novas tragédias.














