No Bairro da Paz, em Salvador, o corpo virou território de resistência, arte e reconexão. Foi lançado o último domingo (01) o projeto Meu Corpo, Meu Templo, uma iniciativa construída a partir da parceria entre o Conselho de Moradores do Bairro da Paz, o Projeto CAP – Cultura, Arte e Percussão e a Academia Mestre Paulo dos Anjos.
Voltado especialmente para mulheres da periferia, o projeto nasce com um propósito claro: oferecer um espaço de acolhimento e fortalecimento onde cada participante possa se movimentar no próprio ritmo, ocupar seu corpo com consciência e reafirmar sua identidade.
Mais do que aulas, a iniciativa propõe um território simbólico e concreto de autocuidado. Em uma realidade onde mulheres das favelas enfrentam sobrecarga, violência e invisibilidade, criar um espaço seguro para sentir, dançar, tocar e compartilhar experiências é também um gesto político.
O lançamento aconteceu na sede do Conselho de Moradores do Bairro da Paz, reforçando o papel das organizações comunitárias como pilares de transformação social dentro das periferias. A proposta articula cultura, arte e formação corporal como ferramentas de emancipação feminina.

As atividades começam já nesta semana e serão totalmente gratuitas. A modalidade de Dança Corporal Afro acontecerá todas as quartas-feiras, das 19h30 às 22h, na Academia Mestre Paulo dos Anjos, localizada na Rua Alto do Sossego, 133. Já as oficinas de Percussão serão realizadas aos sábados, das 13h às 17h30, na sede do Conselho de Moradores, na Rua Nossa Senhora da Paz, 60.
A dança traz a ancestralidade como guia. A percussão convoca o tambor como extensão do peito. E juntas, essas linguagens constroem mais do que expressão artística: constroem pertencimento.
Em um território historicamente marcado por desafios estruturais, iniciativas como o Meu Corpo, Meu Templo reafirmam que a favela também é espaço de criação, potência e cuidado coletivo. Quando mulheres ocupam seus corpos e seus territórios, a periferia inteira respira diferente.














