Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ajude a promover a comunicação comunitária
Google Logo Seguir no Google

Cerca de duzentos representantes de diferentes povos indígenas se reuniram no último fim de semana na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), para reivindicar a aceleração dos processos de demarcação de terras no país. O ato, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) com apoio da Avaaz, fez parte das atividades da Pré-COP Indígena e teve como foco a relação entre a preservação dos territórios tradicionais e o enfrentamento das mudanças climáticas.

Publicidade

Os manifestantes afirmaram que cada território demarcado funciona como uma barreira natural contra o desmatamento, ajudando a conter a emissão de gases de efeito estufa e a preservar a biodiversidade. De acordo com a APIB, as terras indígenas são hoje as áreas mais bem conservadas do país e têm papel fundamental na regulação do clima e na manutenção dos ciclos de chuvas.

“Demarcar é proteger vidas e o futuro do planeta. Onde há terra indígena, há floresta em pé”, destacou uma das lideranças presentes no ato.

Além da dimensão ambiental, os povos também chamaram atenção para os impactos diretos das mudanças climáticas sobre seus modos de vida. Comunidades relataram a escassez de plantas usadas na alimentação, no artesanato e em rituais tradicionais — reflexo da estiagem prolongada, de temporais extremos e da perda de vegetação nativa.

Atualmente, mais de 100 terras indígenas aguardam a conclusão de processos de demarcação no Executivo federal. O tema é considerado prioritário pelo Ministério dos Povos Indígenas e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que defendem a regularização fundiária como parte da política nacional de enfrentamento à crise climática — uma pauta que deve ganhar destaque nas discussões da COP30, em Belém (PA).

Apesar dos avanços no debate, as lideranças alertam que o caminho ainda é marcado por obstáculos políticos e jurídicos, como a Lei do Marco Temporal (Lei nº 14.701/2023), que restringe o reconhecimento de territórios indígenas apenas àqueles ocupados até 1988. Para as organizações indígenas, a norma representa um retrocesso e coloca em risco não apenas direitos constitucionais, mas também os esforços globais de mitigação da crise climática.

Ao final do ato, os participantes reforçaram a mensagem de que a defesa dos povos originários é inseparável da proteção ambiental. “Garantir as demarcações é garantir o futuro do clima”, concluiu uma das lideranças durante o encerramento da mobilização.