Foto: Reprodução
Ajude a promover a comunicação comunitária
Google Logo Seguir no Google

O governador Cláudio Castro (PL) anunciou que o Governo do Estado do Rio de Janeiro está preparando uma grande operação integrada para remover barricadas instaladas por organizações criminosas em comunidades de todo o estado. A ação, que deve começar ainda em novembro, pretende unir diferentes secretarias e órgãos públicos para enfrentar um dos principais símbolos do domínio territorial do tráfico e das milícias.

Publicidade

Batizado informalmente de “Operação Barricada Zero”, o plano envolve secretarias como as de Infraestrutura, Cidades, Meio Ambiente e Agricultura, além das forças de segurança, com o objetivo de eliminar obstáculos físicos usados por criminosos para controlar o acesso a determinadas regiões. As barricadas, geralmente feitas com tonéis, entulhos, veículos incendiados e ferro retorcido, impedem a entrada da polícia, de ambulâncias e até mesmo de serviços públicos essenciais.

Segundo o governo, o estado foi dividido em zonas de alta, média e baixa complexidade, de acordo com o grau de influência de facções e milícias. A operação deve priorizar as áreas onde há maior presença armada e domínio territorial. O plano prevê entre cinco e dez grupos operacionais atuando simultaneamente, com apoio de secretarias e serviços públicos, para garantir que a ação não se limite à intervenção policial.

“Não adianta apenas remover as barricadas. É preciso garantir a presença do Estado, com saneamento, emprego e serviços sociais. Queremos devolver a liberdade de ir e vir aos moradores”, afirmou Cláudio Castro em coletiva recente.

O projeto surge no rastro da megaoperação policial realizada no fim de outubro, nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, que resultou em mais de 120 mortos. A ação, considerada a mais letal da história do estado, foi duramente criticada por organizações de direitos humanos e está sob investigação do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes determinou que o governo envie imagens das câmeras corporais, laudos necroscópicos e relatórios detalhados sobre as mortes.

Castro, por sua vez, defendeu a operação, classificando-a como uma “resposta necessária” ao avanço do tráfico e à instalação de barricadas próximas a escolas e postos de saúde. O governador também afirmou que pediu apoio das Forças Armadas, mas teve o pedido negado pelo governo federal.

A nova ofensiva estadual, segundo ele, busca evitar que situações semelhantes se repitam e promete uma atuação mais estruturada, com foco também na reconstrução social das áreas retomadas. O governo pretende lançar ao menos dez operações nos próximos meses, com a promessa de recuperar vias bloqueadas e restabelecer a circulação de transporte e serviços públicos.

Apesar das promessas, especialistas e movimentos sociais alertam que a simples retirada das barricadas não garante a retomada efetiva dos territórios, se o Estado não permanecer de forma contínua. A ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, estabelece que operações policiais devem seguir protocolos rigorosos para evitar abusos e preservar a vida da população civil.

Enquanto o governo articula a operação e define os primeiros locais de intervenção, a expectativa é que as ações comecem ainda neste mês de novembro, com monitoramento de órgãos de controle, do Ministério Público e de entidades de direitos humanos.