Foto: Franklin Paz
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O Governo do Brasil anunciou um investimento de R$ 83,3 milhões para ampliar a assistência às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa prevê a criação e habilitação de 59 novos serviços em todo o país, com foco no diagnóstico precoce, atendimento especializado e suporte contínuo às crianças e suas famílias.

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A medida, formalizada no Dia Mundial de Conscientização do Autismo (2 de abril), reforça a estrutura da rede pública de saúde e amplia o acesso ao cuidado, especialmente para populações que historicamente enfrentam mais dificuldades, como moradores de periferias.

Entre os novos serviços estão Centros Especializados em Reabilitação (CER), Oficinas Ortopédicas e a oferta de transporte adaptado para pacientes. A expansão da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) alcança 20 estados e inclui a implantação de 19 novos centros, além da ampliação de unidades já existentes. Com isso, o país passa a contar com 361 CERs, consolidando uma rede que já recebe mais de R$ 1 bilhão por ano em investimentos.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa fortalece todas as etapas do cuidado. “Estamos estruturando uma rede cada vez mais preparada para atender pessoas com TEA, desde a identificação precoce na atenção básica até o atendimento especializado, com equipes multidisciplinares”, afirmou.

Mais acesso e menos espera

A estratégia inclui ainda um incentivo adicional de 20% para 20 novos serviços voltados ao atendimento de pessoas com autismo. Ao todo, 59 unidades passam a contar com esse reforço, que soma R$ 37 milhões anuais. A expectativa é reduzir o tempo de espera por atendimento e ampliar o suporte no dia a dia das famílias.

Outro avanço importante é a garantia de mobilidade: o investimento contempla a criação de duas Oficinas Ortopédicas e a disponibilização de três veículos adaptados, facilitando o deslocamento de pacientes até os serviços de saúde — uma demanda recorrente em territórios periféricos, onde o acesso ao transporte ainda é um desafio.

Atendimentos crescem e mostram impacto

Os dados mais recentes apontam que o SUS já vem ampliando o cuidado com pessoas com TEA. O número de atendimentos saltou de 12 milhões, em 2022, para mais de 22 milhões em 2025, um crescimento de 84%.

Os investimentos também acompanharam esse avanço: passaram de R$ 119,3 milhões para R$ 221,8 milhões no mesmo período, evidenciando uma ampliação consistente das políticas públicas voltadas à inclusão e ao cuidado.

Para famílias que vivem em favelas, esse crescimento representa mais do que números: significa a possibilidade real de diagnóstico, acompanhamento e desenvolvimento das crianças dentro do próprio território ou com menos deslocamentos.

Cuidado individualizado e mais humano

Um dos pilares do atendimento é o Projeto Terapêutico Singular (PTS), que garante um acompanhamento individualizado, respeitando a realidade de cada criança e de sua família. O modelo envolve equipes multidisciplinares e promove não apenas o cuidado clínico, mas também a inclusão social e cultural.

A proposta dialoga diretamente com a necessidade de políticas públicas mais sensíveis às desigualdades sociais, reconhecendo que o acesso ao cuidado ainda é atravessado por fatores como renda, território e infraestrutura.

Diagnóstico precoce ganha reforço com tecnologia

O SUS também avançou na identificação precoce de sinais do autismo com a incorporação do M-CHAT, um instrumento de triagem aplicado em crianças de 16 a 30 meses.

A ferramenta já está disponível na Caderneta Digital da Criança e no sistema e-SUS APS, permitindo que o acompanhamento comece ainda nos primeiros sinais, antes mesmo da confirmação do diagnóstico. Desde julho de 2025, cerca de 129 mil crianças foram avaliadas com o instrumento.

Esse tipo de اقدام é essencial para reduzir desigualdades, já que, nas periferias, o diagnóstico tardio ainda é uma realidade frequente devido à dificuldade de acesso a especialistas.

Capacitação e fortalecimento do SUS

Além da ampliação da rede, o Governo também investe na qualificação dos profissionais de saúde. Entre as ações estão cursos e formações que já alcançaram milhares de trabalhadores em todo o país, abordando desenvolvimento infantil, cuidado integral e práticas de intervenção precoce.

Também será disponibilizado um Guia de Intervenção Precoce, com orientações baseadas em evidências científicas, voltado para o atendimento de crianças com sinais de TEA.

Impacto nas favelas

O conjunto das ações reforça o papel do SUS como uma das principais ferramentas de redução das desigualdades no Brasil. Para as favelas, onde o acesso à saúde especializada ainda é limitado, a ampliação dos serviços representa um passo importante na garantia de direitos.

Ao investir em diagnóstico precoce, atendimento contínuo e suporte às famílias, o Governo amplia as possibilidades de desenvolvimento das crianças com autismo e fortalece a inclusão social em territórios que historicamente enfrentam exclusão.