O Morro da Providência, berço da Pequena África e reconhecido como a primeira favela do Brasil, recebe neste domingo (26) a 8ª edição do Festival Galeria Providência. Com programação gratuita das 8h às 22h, o evento reafirma a potência do território como espaço de resistência, cultura e memória, unindo moradores e visitantes para celebrar o protagonismo preto que marca a história do Rio de Janeiro.
A grande novidade desta edição é o lançamento de um portal digital que reunirá, pela primeira vez, um acervo histórico completo sobre a favela — com fotografias desde o século XX, filmes, documentários, artigos, registros de projetos urbanísticos e arquivos artísticos e bibliográficos. A plataforma também servirá como espaço institucional do Projeto Galeria Providência, responsável por ações de formação cultural, comunicação comunitária e cuidado com a população local.
“O site reitera que já resistimos antes e que temos força para seguir. Ele é a semente para o futuro que desejamos plantar”, afirma Hugo Oliveira, morador do morro, artista, pesquisador e diretor geral do festival. A iniciativa integra o projeto de construção de um futuro Centro de Memórias da Providência, reconhecendo a favela como patrimônio vivo da história brasileira.
O Festival Galeria Providência nasceu em 2017, quando moradores e artistas se uniram para grafitar muros e transformar as ruas em espaços de arte e pertencimento. Desde então, o projeto se expandiu e hoje funciona como um polo comunitário de educação e cultura ao longo de todo o ano, com oficinas, seminários, biblioteca comunitária, pré-vestibular Marielle Franco e cursos técnicos para jovens em parceria com a Firjan.


“Educar a partir do território é formar sujeitos conscientes de sua história, identidade e potência. A favela é uma sala de aula viva”, destaca Hugo.
Valorizando expressões como samba, funk, hip hop e dança, o espaço fortalece autoestima, gera oportunidades e combate estigmas que há décadas recaem sobre a favela.
Bem-viver como política comunitária
Além da cultura, o Galeria Providência atua pela saúde mental no território. O Núcleo de Saúde Mental do Morro da Providência (NUSAMP) promove, ao longo do ano, fóruns para mulheres e atendimento psicológico gratuito.
“Muitos moradores relatam que as atividades os ajudavam a aliviar a tristeza e a ansiedade. A arte virou cuidado e acolhimento”, reforça Hugo. A iniciativa também realiza distribuição de cestas básicas, garantindo segurança alimentar para famílias em situação de vulnerabilidade.
Programação que movimenta toda a favela
O Festival toma toda a Rua do Monte com corrida urbana, exposições, rodas de conversa, grafite, DJs, espetáculos de dança, aula de skate, pagode e o tradicional Baile Black Bom — celebrando a história preta e urbana que resiste nas periferias e favelas do país.
O evento é uma realização da Umas Produções, com patrocínio da Equinor, por meio da Lei Nacional de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313/1991).














