Foto: Divulgação
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Um encontro que pulsa memória, resistência e articulação coletiva. O Pontão de Cultura Coco de Umbigada realiza, nesta sexta-feira (24), a 1ª TEIA Estadual Memória Viva – PE, no bairro de Guadalupe, em Olinda. A iniciativa reúne agentes culturais de diversas regiões do estado para fortalecer as culturas populares, afro-brasileiras e indígenas, com impacto direto nas periferias e territórios tradicionais.

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A programação começa às 9h, na sede do Coco de Umbigada, e propõe um espaço de escuta ativa, construção coletiva e articulação política. Além disso, o evento marca a posse simbólica do Comitê em Defesa dos Povos de Terreiro e pela Justiça Racial e apresenta a primeira etapa do Mapeamento Memória Viva PE.

Coordenado pelo Centro Cultural Coco de Umbigada, o Pontão Memória Viva é dirigido pela ialorixá e Patrimônio Vivo de Pernambuco, Mãe Beth de Oxum. Desde junho de 2025, o projeto vem conectando saberes, tecnologias e práticas culturais de base comunitária, fortalecendo redes que nascem, em grande parte, nas periferias e comunidades tradicionais.

A iniciativa atua em cinco microrregiões do estado e envolve organizações culturais que dialogam diretamente com a realidade das favelas, dos terreiros e dos territórios populares. Entre as ações desenvolvidas estão formações, letramento digital, apoio a novos pontos de cultura e articulação de políticas públicas voltadas à cultura viva.

A TEIA Estadual surge como um momento estratégico dentro desse processo. O encontro tem como objetivos alinhar diretrizes para a TEIA Nacional Pontos de Cultura, fortalecer uma rede interconectada em Pernambuco e reunir toda a cadeia produtiva da cultura viva — incluindo mestres, brincantes, juventudes periféricas e técnicos culturais.

“Mais do que um evento, a TEIA é um ponto de virada para consolidar essa rede de forma estruturada e contínua”, destaca Mãe Beth de Oxum. Segundo ela, o encontro acontece em um momento decisivo, na fase final do ciclo do Pontão Memória Viva, que inclui formações presenciais e o avanço do mapeamento cultural no estado.

Esse mapeamento tem papel central na iniciativa. A proposta é sistematizar dados sobre pontos de cultura, agentes e práticas culturais, permitindo compreender as realidades locais das periferias e territórios tradicionais, além de identificar demandas e potencialidades. A partir desta etapa, o cadastro também poderá ser feito de forma autônoma pelos próprios fazedores de cultura.

Para Mãe Beth, o reconhecimento institucional dessas ações é fundamental para avançar em políticas de reparação histórica. “Este é um momento-chave para garantir valorização e reconhecimento dos fazedores e fazedoras de cultura dentro da Política Nacional Cultura Viva, fortalecendo a organização e a escuta ativa da rede”, afirma.

A programação segue até às 21h e inclui acolhimento, café da manhã coletivo, debates sobre memória, patrimônio e cultura viva, além da apresentação dos primeiros dados do mapeamento cultural de Pernambuco. Também serão formados grupos de trabalho responsáveis por elaborar propostas que serão levadas à TEIA Nacional.

Outro destaque é a posse simbólica da Campanha em Defesa dos Povos de Terreiro e por Justiça Racial, que reforça o enfrentamento à intolerância religiosa — uma realidade ainda presente nas favelas — e a luta pelo direito à livre expressão das religiões de matriz africana.

O encerramento acontece no tradicional Beco da Macaíba, com a sambada do Coco de Umbigada, reunindo convidados e reafirmando a cultura como ferramenta de resistência, identidade e transformação social.

Mais informações sobre o projeto estão disponíveis no portal do Pontão Memória Viva PE