A formação de adolescentes como cidadãos digitais críticos e criativos ganhou um novo capítulo nesta semana, em Brasília. Durante dois dias, 27 jovens de todas as regiões do Brasil participaram do encontro “Participação e Educação Digital e Midiática das Adolescências”, promovido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR), em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Unesco Educação.
A iniciativa faz parte do programa Escola das Adolescências e reforça a importância de garantir que estudantes — especialmente aqueles vindos de escolas públicas, periferias e favelas — tenham acesso a ferramentas digitais que ampliem seu protagonismo e sua participação social.
Ao longo da programação, adolescentes participaram de oficinas voltadas ao desenvolvimento de habilidades digitais e midiáticas — conhecimentos essenciais para navegar com segurança e autonomia no ambiente online, onde jovens da favela enfrentam diariamente desafios como desinformação, violência digital e falta de acesso a tecnologias de qualidade.
A primeira atividade foi conduzida pela Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, que apresentou o OctoStudio, plataforma que estimula a criação digital de forma autoral. Já o Instituto Alana comandou a oficina sobre Design Ético e ECA Digital, abrindo debates sobre direitos, responsabilidades e o uso saudável da tecnologia — temas fundamentais para jovens das periferias, que muitas vezes lidam com vulnerabilidades ampliadas nos ambientes digitais.
Os estudantes também visitaram a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde conheceram os bastidores do jornalismo público. Para muitos jovens vindos de contextos periféricos, essa é a oportunidade de enxergar como funciona uma comunicação que prioriza o interesse social e a democratização da informação.
No Palácio do Planalto, puderam conhecer espaços institucionais essenciais para a vida democrática, aproximando adolescentes — inclusive de favelas e periferias — da construção das políticas públicas que impactam diretamente seus territórios.
Protagonismo e cidadania digital
“Foi importante proporcionar para os adolescentes uma vivência que contemplou tanto uma visão crítica sobre as mídias quanto o desenvolvimento de habilidades técnicas sobre como produzir informação íntegra”, afirmou Mariana Filizola, coordenadora-geral de Educação Midiática da Secom.
O espírito do encontro é de formação cidadã: jovens protagonistas, capazes de produzir suas próprias narrativas, combater a desinformação e fortalecer as vozes das quebradas em espaços decisórios.
Acampamídia: o curso que nasce com participação estudantil
No segundo dia, os estudantes conheceram o Acampamídia – Educação Digital e Midiática para as Adolescências, um curso de 40 horas que será lançado no AVAMEC em abril de 2026. A formação, co-criada com adolescentes e alinhada às diretrizes da BNCC e às competências digitais da Unesco, propõe trilhas gamificadas sobre identidade digital, plataformas, leitura crítica das mídias, audiovisual e Inteligência Artificial.
Para muitos jovens, especialmente da escola pública, essa é uma oportunidade de acessar conhecimento que valoriza suas vivências e amplia suas possibilidades profissionais e criativas.
O estudante Artur Felipe Marques Costa, do Espírito Santo, destacou a importância desse processo:
“É uma grande oportunidade para nós, adolescentes da rede estadual pública, entendermos como funciona a criação desses cursos e sentir que estamos participando de uma política pública.”
Educação digital com base territorial e foco nas desigualdades
Segundo Maria Rehder, da Unesco, o curso é o primeiro a incorporar o marco global de competências em IA para a educação:
“Estamos territorializando o currículo de alfabetização midiática para a realidade brasileira”, afirmou.
Essa territorialização é essencial para que adolescentes das favelas e periferias tenham acesso a uma educação digital que dialogue com suas realidades: desde o combate à desinformação até o uso seguro da internet, passando pela produção de conteúdo que fortalece a cultura local e as narrativas comunitárias.
O encontro e o curso integram o Grupo de Trabalho Nacional de Participação e Educação Digital e Midiática, que reúne governo, Unesco, universidades e organizações da sociedade civil para garantir que adolescentes brasileiros — especialmente os das periferias, onde o impacto da falta de inclusão digital é maior — desenvolvam práticas éticas, criativas e seguras no ambiente digital.














