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O colegiado da sociedade civil que compõe o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), ligado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), divulgou na quarta-feira (5) uma nota política exigindo agilidade na tramitação do Decreto Federal de Regularização Fundiária dos Povos e Comunidades Tradicionais.

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De acordo com o Conselho, o texto do decreto está sendo retardado por entraves dentro do próprio Ministério do Meio Ambiente. As lideranças esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assine o documento durante a COP 30, que será realizada em Belém (PA), em 2025.

A nota reforça o papel de instituições como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), reconhecidas pelo compromisso com a pauta. No entanto, o CNPCT manifesta insatisfação com a lentidão no MMA e cobra uma postura mais firme do governo federal diante de uma demanda considerada histórica e inegociável.

“Chega de ver burocratas disfarçados de aliados ocuparem espaços de decisão e virarem as costas para a pauta mãe dos povos: a terra e o território”, diz um trecho da nota.

O Conselho destaca que o decreto foi construído de forma coletiva, com a participação de diversas organizações e movimentos, como a Rede Cerrado, a Articulação Rosalino Gomes, o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), a Terra de Direitos e o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM), além de representantes dos 28 segmentos reconhecidos pelo Decreto nº 6.040/2007 e da Juventude dos Povos e Comunidades Tradicionais.

Mesmo com a intensa mobilização social e política, o CNPCT aponta que houve pouco apoio institucional por parte do Estado e denuncia a falta de diálogo do MMA e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

“Não se trata de um pedido, mas de uma exigência política e ética”, afirma a nota. “A regularização fundiária dos territórios tradicionais é o eixo estruturante da política de direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais. É o que garante a permanência das comunidades, a proteção dos biomas e a efetividade das políticas públicas.”

O Conselho informa ainda que já enviou uma carta com mais de 600 assinaturas pedindo apoio político e institucional do MMA, mas até o momento não recebeu resposta.

No encerramento do texto, o CNPCT alerta para as consequências políticas da falta de sensibilidade do governo com as pautas dos povos e comunidades tradicionais, especialmente diante da proximidade do ano eleitoral.

“Não admitiremos mais ser tratados como segmentos secundários ou meros votos. Somos sujeitos políticos, portadores de sabedoria, organização e legitimidade.”

A nota conclui com um chamado à ação:

“O Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais exige posicionamento e compromisso. Ou o decreto anda, ou ele anda! Porque nossa luta é antiga, nossa causa é justa e nossa voz é coletiva. Não há justiça climática sem justiça territorial.”

Brasília, novembro de 2025
Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT)

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Doté Olissassì
Graduado em Pedagogia, Pós-graduado em Gestão Pública Ambiental, Mestrando em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais pela UnB, Roteirista, Produtor Cultural, Comunicador e Consultor de Projetos. Autoridade Tradicional (Doté) da Fraternidade de Matriz Africana S'aganmà Zùn, Povo Tradicional de Matriz Africana Jeje Mahi. Coordenador Geral do escritório da Associação Mundial Naziafah no Brasil, Coordenador Nacional de Comunicação do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana - FONSANPOTMA, Coordenador de Comunicação da Teia Nacional Legislativa em defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, Conselheiro Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais do Ministério do Meio Ambiente, Conselheiro Nacional de Igualdade Racial do Ministério da Igualdade Racial (2024-2025), Dirigente do Núcleo Nacional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana do Partido dos Trabalhadores, membro do Movimento Negro Unificado - MNU-RN, Coordenador de Comunicação e Consultor de Projetos da Associação Multicultural Azumatar, Coordenador Estadual do Setorial de Segurança Alimentar do PT-RN, Consultor Pedagógico da Antropos Consultoria Socioambiental, um dos autores do Livro Negritude Potiguar e Colaborador da Agência de Notícias das Favelas - ANF, membro do Comitê Gestor da Plataforma dos Territórios Tradicionais do Ministério Público Federal - MPF e membro do Comitê Gestor da Política Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana do Ministério da Igualdade Racial - MIR. Atualmente é exercer a função de Coordenador Geral pelo IDEMA/RN do Comitê Estadual intersetorial de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais do RN - CESPCT.