Uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (27), no Teatro SESI Rio Vermelho, em Salvador, debateu a importância cultural do Coletivo Palhaços do Rio Vermelho, fundado em 1986. A iniciativa foi do presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, vereador Sílvio Humberto (PSB), autor do Projeto de Lei 319/2025, que institui no Calendário Oficial de Eventos do Município de Salvador o Dia do Desfile dos Palhaços do Rio Vermelho.
A atividade é um pré-requisito para a tramitação do PL e atende a uma demanda da comunidade, através do grupo cultural que se apresenta nas ruas do Rio Vermelho na semana pré-carnaval. O desfile agrega dezenas de coletivos de capoeira e outras manifestações tradicionais, como o Nego Fugido, o reisado e grupos de samba de roda de diferentes municípios.
O encontro reuniu entidades sociais, artistas, moradores e produtores culturais de Salvador, Madre de Deus e Conde, como a Associação Sócio-Artístico-Cultural e Ambiental do Conde – Siribeira, a Associação de Moradores e Amigos do Rio Vermelho (AMARV) e a Associação Cultural Beneficente Monsenhor Amílcar Marques. Na mesa dos trabalhos, que recebeu propostas do público para os próximos passos na tramitação do PL, estiveram presentes a capitã da PM Daniele Ministro, a presidenta da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa, deputada Olívia Santana (PCdoB), o vereador Felipe Santana (PSD), além de Lúcia Menezes e Eduardo Câmara, dos Palhaços do Rio Vermelho, e Artur Ferreira, da AMARV.
Patrimônio da cidade
Os Palhaços surgiram a partir de um grupo de moradores da Rua Ilhéus, no Rio Vermelho, como movimento cultural criado pelo artista plástico Ruy Santana para resgatar a criatividade e a alegria do carnaval tradicional, com foco nas fantasias e no lúdico. Em 2009, o coletivo se firmou como uma expressão de resistência cultural.
O vereador Sílvio Humberto defendeu a preservação da manifestação como patrimônio cultural da cidade, destacando sua contribuição para a geração de emprego, renda e turismo.
“É preciso garantir serviços públicos, ordenamento do trânsito e do comércio, limpeza, estrutura de segurança pública, para valorizar o movimento, que não é comercial, não visa lucro, mas movimenta a economia urbana e resgata a alegria genuína do carnaval e o convívio social”, afirmou.
O diretor de projetos da Associação Siribeira, Eduardo Câmara, lembrou o resgate de expressões artísticas de municípios vizinhos, como Conde, que ganham visibilidade no desfile pré-carnavalesco dos Palhaços em Salvador, promovendo integração entre moradores de diferentes bairros e turistas.
“Agora é garantir o direito de ter um desfile oficial com toda a estrutura, o que já fazemos de fato: o resgate da essência do carnaval, da alegria, espontaneidade e criatividade”, disse.
O diretor da AMARV, Artur Ferreira, ressaltou que os Palhaços são herdeiros do Bando Anunciador dos antigos carnavais e cumprem um papel fundamental para a preservação cultural. Ele defendeu o apoio do governo estadual na participação de manifestações de outros municípios que integram o desfile, além da ampliação dos serviços da prefeitura municipal para a estrutura da festa.














