Obras sobre vivências da comunidade são apresentadas no evento e levantam discussões sobre representatividade e aceitação.

Na Bienal do Livro 2026, que ocorre em São Paulo, autores e editoras independentes se reuniram. Entre eles, está a comunidade LGBTQ+, que produz literatura, arte, entre outras formas de contar a história dessa população. Livros sáficos, protagonizados por mulheres que se relacionam com mulheres, têm ganhado mais espaço.
O termo ‘sáfica’ é uma forma de englobar mulheres que se atraem por mulheres, sejam elas lésbicas, bissexuais, pansexuais, entre outras. É o caso da obra “Tempo-abstrato”, de Amanda Pickler.
A autora lançou o livro em 2024, e o desenvolvimento do casal ocorre durante um momento delicado para a política brasileira. Desde o lançamento, Pickler percebe que a atenção à diversidade passa por fases: “Tem momentos em que as editoras de repente ficam interessadas em publicar literatura LGBT, mas de repente diminui, porque já não é mais ‘moda’”.
“Eu acho que isso é um problema, ter que ‘estar na moda’ para divulgar diversidade. Deveria ser simplesmente, pelo livro em si”, desabafa. “Acho que o público em geral tem essa ideia de que, para você consumir literatura LGBT, você precisa ser LGBT, o que também não é verdade”, ressalta a autora.
Ela acredita que eventos como a Bienal do Livro colaboram para a divulgação de obras que retratam esse assunto: “Essa é uma maneira de você entrar em contato com pessoas que talvez nunca tenham pensado em ler um romance sáfico e dar uma chance”.

Leitores LGBTQIAPN+
Retratar a comunidade LGBTQIAN+ na literatura e na cultura pop colabora para divulgar informações e dar visibilidade a essa população. A leitora e psicóloga Talita Melo nota que ocupar espaços em grandes eventos é essencial: “Acho que é uma sensação de poder pertencer finalmente. A gente fica muito à margem normalmente, fica em geral excluída de grandes eventos, então, que bom que a gente pode entrar agora e ter estandes e literaturas num evento grande como esse”.
Ela pontua a importância de contar histórias que vão além da “heteronormatividade”, ou seja, retratar pessoas que não são heterossexuais ou que não se identifiquem com o gênero designado a elas: “Acho que é super importante essa questão da representatividade, até para a gente poder se reconhecer, né? Se reconhecer nas histórias, se reconhecer na realidade que a gente vive”.
A estudante de 13 anos Ana Carolina Coelho Saraiva se entendeu e se aceitou como parte da comunidade LGBTQIAPN+ a partir dos livros: “Acho que quando você se identifica mais com a obra é muito mais fácil conseguir falar abertamente sobre você”.
Hoje, a garota tem o apoio da família e, junto com os temas abordados nos livros, pôde viver o processo de aceitação: “Eu nunca tinha visto muitos livros assim, nem muitas coisas assim, então quando você cresce sem ter uma coisa assim, você acha que você é errada. Mas pelo contato com obras LGBTs, a gente consegue ficar mais feliz, a gente consegue entender que tem pessoas iguais à gente no mundo”.



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