O espaço promove diálogo sobre direitos e acesso à saúde na zona leste.
Guaianases, da zona leste de São Paulo, lançou o Forum de Saúde LGBTQIAN+. Nesta sexta-feira (4), ocorreu um encontro sobre “Orgulho e cidadania com saúde: Conhecendo a Política Municipal de Saúde”, como espaço para diálogos e orientações. A intenção é reunir grupos de dois em dois meses para uma roda de conversa.
Raphaela Fini assessora de Saúde LGBTQIAPN+ da STS (Supervisão Técnica de Saúde) de Guaianases, explica esse é um espaço para formação e educação permanente para profissionais da saúde e para a população, que terá uma dinâmica fluida: “Se num dia tiver só profissionais, nós vamos levar o diálogo para um caminho mais técnico. Se a gente tiver mais população LGBT, vamos levar para o caminho de orientação, de como acessar o serviço de saúde e para ampliar os cuidados de saúde e qualidade de vida. Esse espaço é vivo, não tem um formato único”.
Ao lado dela, estavam Thiphany Rafaela, organizadora da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de Guaianases, e Jaqueline Alves de Souza, conselheira de saúde. Durante a conversa, Raphela destacou que a política municipal de São Paulo é referência nacional: “Ela garante o acesso universal, integral, equitativo e humanizado à população LGBT, reduzindo desigualdades e a discriminação dos serviços de saúde”.
Segundo um levantamento da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) de 2023, 94% das pessoas trans já sofreram violência ou discriminação no atendimento à saúde. A pesquisa descobriu que 62% evitam buscar serviços de saúde por medo de preconceito.

Saúde de pessoas LGBTQIAPN+
O Observatório Brasileiro LGBTI+ Janaína Dutra aponta que no primeiro semestre de 2026, cerca de 50 pessoas foram mortas em contextos de LGBTfobia. Desse número, 26 são travestis ou mulheres trans (52%), 15 são gays (30%), 4 são lésbicas (8%), 2 são homens trans e pessoas transmasculina (4%), 2 pessoas foram classificada como “outros segmentos” (4%) e 1 bissexual (2%).
Esses números mostram que a saúde das pessoas dessa comunidade merece mais atenção: “Não podemos só olhar de maneira enviesada de que nós queremos hormônio e teste para HIV. Nós precisamos de prevenção da saúde, promoção da saúde, prevenção de doenças”.
A rede de prevenção à saúde Rede SAMPA Trans tem o objetivo de expandir serviços de saúde em UBSs (Unidades Básicas de Saúde) para pessoas trans, travestis e com variabilidade de gênero. Porém, para os moradores de Guaianases, a referência é a Casa SER Dorinha, que fica na Cidade Tiradentes, então a população ainda precisa se deslocar do próprio território para acessar esse serviço: “Essa pessoa não quer pegar condução, ela não quer fazer uma viagem, ela quer ser atendida no seu bairro”.
Movimentos como esse são necessários por conta da dificuldade em acessar esses serviços, porque a fila de espera para algumas cirurgias pode demorar de 8 a 10 anos, visto que não é responsabilidade municipal, mas do Estado. Além do acesso a cirurgias, as participantes pontuaram a importância dos cuidados pós-cirúrgicos.
“Nós três estamos aqui mostrando que nós não vamos mais ficar escondidas. Ninguém vai mais falar por nós. Nós estamos ocupando os espaços. Nós não estamos mais nas esquinas. Nós estamos ocupando todos os espaços”, afirma Raphaela.

Mulheres trans
A conselheira de saúde, Jaqueline Alves de Souza, falou sobre a importância de reuniões como essa: “É uma grande honra participar desse momento de ato e construção coletiva sobre os direitos da população LGBTQIAPN+. Falar sobre diversidade, equidade, inclusão e falar sobre vidas, sobre a respeito, sobre dignidade humana”.
Jaqueline viveu a ditadura militar no Brasil, e compartilha que existir, é por si só, um ato político: “Como mulher como mulher trans, reconheço os desafios vivenciados diariamente por nossa população. Muitas vezes somos julgados, invisibilizadas ou desrespeitadas por sermos quem somos. No entanto, nossa existência é legítima. Nossos direitos são garantidos pela Constituição e nossa cidadania deve ser respeitada e promovida em todos os espaços”.
A organizadora da Parada de Guaianases, Thiphany Rafaela, compartilha que o tema é “Enquanto tiver ódio, haverá luta”. Além desse projeto, ela também faz parte da Família Stronger, que luta contra a LGBTfobia, então todos os eventos ligados a essa entidade terão esse tema.
“A maioria das pessoas que participam da parada são LGBTs e a gente tem um olhar carinhoso para essas pessoas, mostrando para elas e para a sociedade que a gente também pode estar na liderança e também como diretores, staff e na promoção”, destaca Thiphany.
A criação desse local é inspirada no Forum de Saúde LGBTQIA+ de Itaquera, a intenção era lançar o forum antes, mas precisou ser adiado, mas, por coincidência, o lançamento ocorreu próximo a data da 1ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+, que será em 7 de setembro de 2026.














