Foto: Divulgação
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A artista visual e escritora Gleciara Ramos abre, no próximo dia 21 de maio, às 19h, a exposição “Iramaia e o Encontro das Águas”, no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória, em Salvador. Com entrada gratuita, a mostra reúne instalação artística, lançamento de livro e exibição de documentário construídos a partir de uma pesquisa de oito anos sobre cosmogonias indígenas, territórios ancestrais e encontros culturais entre Amazônia, Andes Peruanos e Bahia.

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A exposição mergulha em narrativas ligadas aos povos originários e ao feminino ancestral, costurando bordados, tecituras, audiovisual e literatura em uma espécie de cartografia afetiva das águas, da memória e da resistência. Em tempos de apagamento cultural e desigualdade social, especialmente sentidos nas periferias e favelas, a mostra também propõe reflexões sobre pertencimento, identidade e preservação dos saberes tradicionais.

O livro Iramaia e o Encontro das Águas reúne duas obras: Jacy Waurá (Espelhos da Lua) e Jacy Epóma (Escutas da Lua). O nome “Iramaia”, que significa “Abelha Rainha” em Tupi, simboliza a força coletiva do feminino e a continuidade da vida por meio da partilha e da construção coletiva.

Inspirada na frase “As fronteiras são feitas de medo?”, da artista paulistana Eneri, apresentada em uma instalação em Nova York, Gleciara explica que o “Encontro das Águas” nasce como um convite ao acolhimento entre culturas.

“A proposta é o acolhimento e o encontro entre as culturas originárias, maternas, reforçando uma fraternidade possível e real”, afirma a artista.

A pesquisa começou entre 2018 e 2026, passando pela Amazônia, Bahia e Andes Peruanos, em parceria com o cinegrafista e cineclubista Luís Sérgio Brito Nascimento, conhecido como Sérgio Zumby. Segundo Gleciara, uma das investigações centrais da obra foi realizada em Nhamundá, região de fronteira entre Pará e Amazonas, território ligado aos mitos das Icamiabas, mulheres guerreiras que fazem parte do imaginário amazônico.

Na instalação artística, o público poderá conhecer 12 contos bordados sobre a Lua, que deram origem aos textos presentes no livro Jacy Waurá. Além disso, sete instalações chamadas Roupas da Terra transformam tecidos e bordados em “malocas” simbólicas, funcionando como espaços de acolhimento e travessia entre mundos internos e externos.

A oitava instalação será uma videoinstalação com o documentário Pachamama, a mãe do Tempo e Espaço, que nos ensina a tecer nossas Roupas da Terra, produzido a partir das imagens registradas por Sérgio Zumby e editadas por Gleciara durante as expedições pela Amazônia e Andes.

Todos os domingos, às 15h, a artista realizará visitas guiadas abertas ao público, compartilhando os processos criativos da exposição e dialogando com os visitantes sobre ancestralidade, arte e memória coletiva. O livro também estará disponível para venda e poderá ser autografado pela autora.

Nascida no Rio de Janeiro, Gleciara Ramos vive em Salvador desde 1989 e possui trajetória marcada pela atuação artística, acadêmica e cultural. Formada pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, também desenvolveu pesquisas em arte-educação e arteterapia, além de atuar como cineclubista e autora do livro Nós Os Índios.Ao unir arte contemporânea, narrativas indígenas e experiências territoriais, Iramaia e o Encontro das Águas transforma o espaço do museu em um território de escuta, memória e resistência cultural, aproximando públicos diversos de debates urgentes sobre ancestralidade, identidade e pertencimento.