Imagem: Reprodução
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A Festa Literária das Periferias vai premiar, em setembro de 2026, as dez melhores rodas de samba do Rio de Janeiro com o troféu “Na Palma da Mão”. A iniciativa reforça a aproximação entre literatura, oralidade e cultura popular periférica, marcas que acompanham a trajetória do festival desde sua criação.

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Segundo dados de uma pesquisa da Prefeitura do Rio realizada há dois anos, a cidade possui cerca de 150 rodas de samba organizadas, além das rodas improvisadas espalhadas por diferentes bairros e comunidades cariocas. A premiação proposta pela FLUP busca reconhecer esses espaços como importantes polos de memória, convivência e resistência cultural.

Ao longo de 12 anos de existência, a FLUP consolidou-se como um dos principais eventos culturais voltados para as periferias brasileiras. O festival já passou por territórios como Morro dos Prazeres, Vigário Geral, Mangueira, Babilônia, Vidigal, Cidade de Deus, Maré e Providência, além de ocupar espaços culturais como o Museu de Arte do Rio e a Biblioteca Parque.

Durante sua trajetória, a festa reuniu nomes de destaque da literatura, da música e do pensamento negro contemporâneo. Entre os convidados que já passaram pelos palcos da FLUP estão Grada Kilomba, Patricia Hill Collins, Gilberto Gil, Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Lázaro Ramos, Elisa Lucinda, Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro.

Além da programação cultural, a FLUP também se destaca pelos processos formativos voltados para moradores das periferias. As oficinas e laboratórios promovidos pelo festival já resultaram na publicação de 31 livros de autores periféricos. Entre os escritores que surgiram a partir dessas formações estão Ana Paula Lisboa, Jessé Andarilho, Rodrigo Santos e Geovani Martins, morador da Rocinha cujo livro de estreia foi traduzido para mais de dez países.

A relevância cultural da FLUP também foi reconhecida nacionalmente. Em 2020, o festival venceu o Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura. Já em 2023, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro declarou a FLUP patrimônio cultural imaterial do estado do Rio de Janeiro.

Com o prêmio “Na Palma da Mão”, a edição de 2026 amplia o diálogo entre literatura e samba, valorizando as rodas como espaços fundamentais de produção cultural, identidade e resistência das periferias cariocas.