Foto: Diego Campos
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Em um país onde milhares de jovens das periferias ainda enfrentam dificuldades para concluir o ensino médio, políticas públicas de incentivo à permanência escolar têm se mostrado fundamentais para mudar trajetórias. É o caso do programa Pé-de-Meia, do Governo Federal, que já apresenta resultados concretos no combate à evasão escolar e na promoção da inclusão educacional.

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Um estudo do Centro de Evidências da Educação Integral revela que o programa tem impacto direto na decisão dos estudantes: a cada quatro jovens que pensavam em abandonar a escola, um decide permanecer graças ao incentivo financeiro. A iniciativa funciona como uma poupança educacional e integra a estratégia nacional de redução das desigualdades no acesso à educação.

Na prática, o efeito do programa é sentido dentro e fora das salas de aula, especialmente entre jovens em situação de vulnerabilidade social. Para muitos estudantes das favelas, o benefício mensal de R$ 200 vai além de um auxílio financeiro, representando uma oportunidade concreta de continuar estudando.

É o caso de estudantes como Láiza Castro, de 17 anos, que vê na educação o caminho para transformar sua realidade. Interessada em geopolítica, ela sonha em cursar Relações Internacionais e construir uma carreira na área diplomática. O valor recebido pelo programa ajuda a custear transporte, alimentação e até a desenvolver noções de educação financeira.

Além disso, o incentivo anual de R$ 1.000, acumulado ao longo do ensino médio, funciona como uma poupança que pode ser utilizada no início da vida adulta, ampliando as possibilidades de autonomia desses jovens.

Outro exemplo é o de Emanuela Teixeira, que encontrou no programa uma forma de investir no próprio futuro. Com perfil empreendedor, ela utilizou o recurso para fazer um curso na área da beleza e iniciar o trabalho com design de sobrancelhas. Moradora de um contexto de vulnerabilidade, ela reforça a importância da iniciativa: “É um programa que ajuda bastante e deveria continuar”.

 Impacto direto nas periferias

Em territórios marcados pela desigualdade, como comunidades periféricas, o Pé-de-Meia tem um papel ainda mais significativo. Segundo educadores, o programa não apenas reduz a evasão escolar, mas também contribui para garantir condições básicas de permanência dos estudantes.

“O incentivo muitas vezes ajuda a família a comprar comida, roupas e materiais escolares. Isso faz diferença na frequência e no desempenho”, destaca um gestor escolar.

O levantamento aponta que, entre estudantes em situação de vulnerabilidade, a taxa de evasão no ensino médio cairia de 26,4% para 19,9% com o programa — uma redução média de 6,5 pontos percentuais no país. Em alguns estados, esse impacto é ainda maior, chegando a 10 pontos percentuais.

Os dados mostram que quanto maior a vulnerabilidade social, maior tende a ser o efeito da política pública, evidenciando sua importância para reduzir desigualdades históricas que atingem principalmente jovens da favela.

 Educação como caminho de mobilidade social

Além das dificuldades econômicas, manter jovens engajados na escola também envolve enfrentar desafios contemporâneos, como as mudanças nas perspectivas de trabalho e o impacto das redes sociais.

Educadores apontam que muitos estudantes enxergam novas possibilidades de carreira fora da escola tradicional, mas reforçam que a formação educacional continua sendo essencial para qualquer trajetória profissional.

Nesse cenário, o Pé-de-Meia fortalece o vínculo dos jovens com a escola e ajuda a consolidar a educação como ferramenta de mobilidade social. A permanência no ensino médio amplia as chances de acesso ao ensino superior, aprovação em concursos públicos e melhores oportunidades no mercado de trabalho.

 Retorno social e redução das desigualdades

Os impactos do programa vão além do indivíduo e reverberam em toda a sociedade. Segundo especialistas, um jovem que conclui a educação básica no Brasil pode gerar um retorno social de cerca de R$ 364 mil ao longo da vida, considerando aumento de renda, produtividade e contribuição econômica.

Ao aliviar a pressão financeira sobre famílias em situação de vulnerabilidade, o programa cria condições reais para que estudantes permaneçam na escola e construam novos caminhos.

 Como funciona o programa

O Pé-de-Meia é voltado para estudantes do ensino médio público inscritos no Cadastro Único (CadÚnico). O programa oferece:

  • Incentivo mensal de R$ 200, disponível para saque;
  • Pagamentos adicionais para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA);
  • Depósito anual de R$ 1.000, liberado após a conclusão do ensino médio.

Mais do que um benefício financeiro, o programa se consolida como uma política pública estratégica para garantir o direito à educação e reduzir desigualdades estruturais no Brasil.

Para jovens das periferias, o Pé-de-Meia não é apenas um incentivo. É, muitas vezes, a ponte entre abandonar os estudos e construir um futuro possível.