O aniversário de Salvador, celebrado neste domingo (29), transformou a cidade em um grande palco de manifestações culturais que atravessaram o Centro Histórico e ecoaram com força nas periferias. Ao completar 477 anos, a capital baiana reafirma sua identidade como território de resistência, criatividade e potência cultural.
Durante toda a semana, uma programação diversa ocupou ruas, praças, equipamentos culturais e espaços comunitários, com destaque para iniciativas gratuitas que ampliaram o acesso da população à arte e ao lazer.
Entre os destaques da programação esteve a encenação gratuita da peça Namíbia, Não!, obra do dramaturgo Aldri Anunciação. O espetáculo, que já se tornou um marco do teatro brasileiro contemporâneo, provoca reflexões sobre racismo, identidade e apagamento histórico da população negra.
A apresentação gratuita ampliou o acesso ao teatro e dialogou diretamente com a realidade vivida nas periferias e favelas, onde essas questões são sentidas de forma cotidiana.
Festival Boca de Brasa fortalece cultura das periferias
Outro grande destaque foi o Festival Boca de Brasa, que reafirma o protagonismo das periferias na produção cultural de Salvador. O evento reuniu artistas, coletivos e iniciativas culturais de diversos territórios, promovendo apresentações, oficinas e intercâmbios criativos.
Mais do que um festival, o Boca de Brasa se consolida como política pública de valorização da cultura periférica, impulsionando talentos locais e fortalecendo a economia criativa nas comunidades.

Centro Histórico pulsa com arte, música e ocupação cultural
O Centro Histórico de Salvador foi um dos principais palcos das comemorações. Regiões como o Pelourinho e a Praça Municipal de Salvador receberam shows, apresentações culturais e manifestações populares que reuniram moradores e turistas.
A ocupação desses espaços reforça a importância do Centro Histórico como território de memória e também como espaço vivo, que dialoga com as expressões culturais contemporâneas — muitas delas vindas diretamente das periferias.
Museus e espaços culturais com acesso ampliado
Equipamentos como o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) integraram a programação com entrada gratuita e exposições que refletem a identidade afro-brasileira da cidade.
A iniciativa fortalece o acesso à cultura e contribui para que moradores das periferias e favelas ocupem também esses espaços institucionais, historicamente marcados por barreiras de acesso.
Cultura como motor das periferias
Nas comunidades, a celebração também aconteceu de forma autônoma e potente. Saraus, rodas culturais, apresentações musicais e ações comunitárias mostraram que o aniversário de Salvador vai além da programação oficial.
É nesses territórios que a cultura se afirma como ferramenta de resistência, geração de renda e fortalecimento da identidade — elementos fundamentais para a redução das desigualdades e valorização das favelas e periferias.
Entre festa e desigualdade, a força de Salvador vem das suas raízes
Ao celebrar mais um ano, Salvador também evidencia seus contrastes. Enquanto grandes eventos movimentam a economia e o turismo, muitas comunidades ainda enfrentam desafios estruturais.
Mesmo assim, são as periferias que seguem sustentando a pulsação cultural da cidade. É dali que surgem linguagens, estéticas e narrativas que mantêm Salvador viva, diversa e em constante reinvenção.














