foto: Divulgação
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Em um país onde a violência contra a mulher ainda insiste em atravessar gerações, territórios e corpos, iniciativas que nascem da base comunitária se tornam essenciais para romper o silêncio. Em Salvador, o Projeto Basta! – manifesto artístico pela vida surge como uma dessas respostas potentes, conectando arte, educação e mobilização social no enfrentamento à violência de gênero, especialmente nas periferias.

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Idealizado pelo Coletivo OXE CRIAÇÕES, em parceria com o DOCA 1 em Rede, o Distrito Criativo do Comércio e o IFBA – campus Santo Amaro, o projeto propõe uma jornada coletiva que transforma vivências e reflexões em expressão artística e denúncia social.

A proposta vai além de uma atividade cultural. Trata-se de um processo formativo que convida mulheres e participantes a refletirem sobre temas urgentes como feminicídio, violência doméstica, práticas patriarcais e a histórica invisibilização feminina — questões que impactam diretamente o cotidiano das mulheres nas periferias e favelas brasileiras.

Da escuta à criação: arte como ferramenta de transformação

O projeto é estruturado em três etapas que se conectam como fios de uma mesma trama de resistência.

A primeira fase acontece em formato de roda de conversa, mediada por especialistas, onde o diálogo abre espaço para a escuta, o compartilhamento de experiências e a construção coletiva de consciência crítica. É nesse momento que nascem os conceitos que irão guiar a produção artística.

Na segunda etapa, a reflexão ganha forma. Em uma oficina de gravura, os participantes transformam sentimentos, denúncias e memórias em imagens. As produções são estampadas em tecidos que, posteriormente, se tornam estandartes — verdadeiras bandeiras visuais que ecoam resistência, identidade e luta.

Além disso, ecobags personalizadas também são produzidas, funcionando como extensões do manifesto no cotidiano, circulando pelas ruas, becos e vielas das cidades, levando a mensagem para além dos espaços formais.

Quando a arte ocupa os espaços e amplia o debate

A terceira fase amplia o alcance do projeto. Os estandartes produzidos serão expostos em locais de grande circulação, como escolas, bibliotecas e centros culturais, levando o debate para diferentes públicos e territórios.

As obras também serão registradas e compartilhadas nas redes sociais, criando uma campanha digital que transforma o projeto em um manifesto vivo — capaz de atravessar fronteiras físicas e alcançar outras favelas.

Para a professora Gal Meirelles, uma das responsáveis pela iniciativa, o projeto nasce da urgência de reconstruir narrativas historicamente negadas às mulheres.

“O projeto busca aprofundar o empoderamento identitário feminino, que tem sido negado ao longo de séculos por processos históricos de violência e invisibilização. Através da arte, queremos transformar essas dores e discussões e fazer o público refletir sobre como podemos promover a cultura de paz e resistência em nossas comunidades”, afirma.

Arte como grito coletivo das periferias

Mais do que uma ação pontual, o Projeto Basta! se consolida como uma ferramenta de transformação social. Ao unir arte e educação, a iniciativa fortalece o protagonismo feminino e cria caminhos para que mulheres das periferias se reconheçam como produtoras de narrativa, memória e resistência.

Em tempos em que a violência insiste em silenciar, o projeto responde com cor, forma e presença. Cada gravura, cada estandarte, cada fala compartilhada se transforma em um grito coletivo: basta.