"Inclassificáveis": arte negra em exposição em Salvador
Foto: Girnil Eusébio
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“Somos os sonhos dos nossos ancestrais”. Esta é a frase de boas-vindas estampada no tapete de entrada da exposição “Inclassificáveis” apresentada nesta sexta-feira 13, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, Muncab, em Salvador.

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Com a curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a mostra reúne um conjunto de mais de 660 peças recentemente retornadas ao país, com trabalhos de artistas baianos, cearenses e pernambucanos que estavam há décadas nos Estados Unidos.

A Diretora Geral do Museu, Cíntia Maria, demonstra alegria com a voltas das obras ao seu lugar de origem, o Brasil e a Bahia: “Esse é um momento histórico onde a gente realiza a maior rematriação de obras de arte de com um museu negro, com artistas afro brasileiros. É um momento muito especial. E o que pra gente torna mais especial é que a gente abre a exposição que tem um recorte muito grande de territoriedade daqui”.

O acervo pertencia às colecionadoras Barbara Cervenka e Marion Jackson e percorreu vários países até que elas viram a necessidade de que esse conhecimento e produção intelectual/visual de artistas nordestinos e, acima de tudo, negros, não ficasse restrita, fora da sua mátria. Então, passaram a visitar as instituições aqui em Salvador e escolheu o Muncab pra fazer a doação, como nos explicou o Curador, Jil Soares.

Foto: Girnil Eusébio

Rematriação: protagonismo feminino possibilitou exposição

Jamile Coelho salientou o papel fundamental das mulheres para que uma mostra dessa importância estivesse disponível para o público. Por isso se fala em rematriação. Voltar à Mátria. “Foi uma questão eu o professor Ayrson Heráclito trouxe pra gente, de que essa era uma narrativa feminina. Desde a Bárbara e a Marion que passaram mais de 30 anos vindo pra cá colecionando essas obras, doando posteriormente pro Muncab, a Ministra Margareth Menezes que foi super fundamental nesse apoio. A gente contou inclusive na época com a Embaixadora do Estados Unidos no Brasil, Elisabete Bagley, a Delegada Sandra Magnavita, Adriana Medeiros, do Porto de Salvador que fizeram com que o processo de entrada dessas obras fosse rápido porque precisam de condições específicas, como a climatização, a museologia toda do Muncab, a direção, o educativo, então é uma narrativa de mulheres. A gente precisa, inclusive, protagonizar, essa questão. Então rematriar, é nesse sentido”, explica.  

Acervo

Nomeada como “Inclassificáveis”, a mostra traz exibe quadros que retratam manifestações populares, cenas de rituais religiosos, principalmente, das religiões de matriz africana, cenas cotidianas em ambientes urbanos e rurais, esculturas em ferro e madeira, com destaque para o “Cristo negro” esculpido em 1960 e um quadro de uma Santa Ceia acontecendo no Pelourinho.

Foto: Girnil Eusébio

Pertencimento e identificação é o carro chefe da exposição. A Diretoria do Museu destaca que “o projeto tem como objetivo impactar e a rememorar as nossas ancestralidades, por entender que o público, não é só aquele que frequenta já Instituição Museus, mas atingir aquele outras pessoas de realidades distintas, que são representadas mas que às vezes não pisa nesse território”.

Além de conseguir trazer e montar a exposição em tempo recorde, existia ainda o esforço de fazer algo diferente, tirar a ideia de repetição. Daí surgiu o convite para o artista plástico Bruno Wiw para reproduzir uma tela do multiartista soteropolitano, nascido na Cidade Baixa, em 1948, em um cenário tridimensional, o que oferece aos visitantes uma imersão na pintura. Como uma espécie de mágica, o apreciador vê a tela na parede e em seguida está andando entre os personagens e elementos reais do quadro. Uma experiência única!

Vá. Se veja. Contemple. Se reconheça. Se empodere!