A Bahia se tornou, nesta semana, ponto de encontro de educadoras latino-americanas que defendem a escola pública como território estratégico no enfrentamento ao feminicídio e às desigualdades de gênero. O debate acontece durante o Encontro Regional da Rede de Trabalhadoras da Educação da Internacional da Educação para a América Latina (IEAL), realizado em Salvador até esta quarta-feira (4).
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, destacou que a violência contra as mulheres precisa ser enfrentada como uma pauta permanente dentro das unidades escolares. Para ela, a educação é um dos principais instrumentos de prevenção, sobretudo nas periferias, onde os impactos das desigualdades estruturais se manifestam de forma mais intensa.
“Se há uma epidemia hoje no país, é a violência contra as mulheres, e precisamos enfrentar este problema com políticas que funcionem de forma permanente”, afirmou.
O encontro reúne representantes de 12 países e integra a agenda da Internacional da Educação para a América Latina (IEAL). A escolha da Bahia como sede foi apontada como reconhecimento às políticas públicas estaduais que articulam equidade de gênero, direitos das mulheres e formação cidadã como pilares da rede pública de ensino.
Para Fátima Silva, o ambiente escolar é decisivo para romper ciclos históricos de opressão e construir novas referências sociais. Nas favelas , onde muitas vezes o acesso a políticas públicas é atravessado por desigualdades sociais e raciais, a escola se consolida como espaço de proteção, escuta e transformação.
Ela ressaltou ainda que experiências baianas mostram como políticas educacionais integradas às ações voltadas às mulheres podem gerar mudanças concretas. Projetos estruturantes que discutem respeito, igualdade e direitos humanos nas escolas da capital e do interior fortalecem uma agenda alinhada aos desafios contemporâneos da América Latina.
O encontro também amplia a troca de experiências entre educadoras e fortalece estratégias conjuntas de organização sindical, financiamento educacional e defesa da escola pública democrática. A articulação entre países latino-americanos, segundo a dirigente, é fundamental para proteger conquistas sociais e assegurar que a formação crítica de crianças e jovens seja prioridade nas políticas públicas.
Ao citar o educador Paulo Freire, Fátima reforçou que investir na aprendizagem é condição indispensável para transformar realidades e prevenir violências. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco a sociedade se transforma sem a educação”, declarou.
O debate reforça que enfrentar o feminicídio não é apenas uma pauta de segurança pública, mas um compromisso estrutural com a educação, especialmente nas periferias, onde a construção de uma cultura de respeito pode significar a diferença entre a reprodução da violência e a possibilidade de novos futuros.














