Foto: DIvulgação
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Em um contexto em que a violência contra mulheres segue fazendo vítimas sobretudo nas periferias e favelas, a responsabilidade da imprensa na forma de noticiar esses casos ganha centralidade. No próximo dia 12 de março, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia e a Associação Bahiana de Imprensa realizam a oficina “Protocolo Antifeminicídio – Guia de Boas Práticas para a Cobertura Jornalística”, voltada à qualificação da cobertura da violência de gênero.

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A atividade acontece das 13h às 17h, no Auditório Samuel Celestino, no 8º andar do edifício Ranulfo de Oliveira, sede da ABI, na Praça da Sé, em Salvador. O formato é presencial e a carga horária é de quatro horas. A formação é destinada a jornalistas profissionais, radialistas e estudantes de Jornalismo.

A proposta parte de um entendimento fundamental: a maneira como a violência contra mulheres é noticiada impacta diretamente a percepção social do problema. Em muitos casos, especialmente quando envolvem mulheres negras, moradoras de favela ou periferia, a cobertura reforça estigmas, expõe vítimas de forma desnecessária e naturaliza a brutalidade.

O Protocolo Antifeminicídio, construído coletivamente no âmbito da ABI, apresenta diretrizes éticas e práticas para evitar a culpabilização das vítimas, a reprodução de estereótipos e o sensacionalismo, sem abrir mão do rigor informativo. A ideia é simples e poderosa: informar com responsabilidade também é proteger vidas.

Dados, diretrizes e prática nas redações

A programação técnica será aberta com a apresentação dos dados de 2025 do Projeto Global de Monitoramento da Mídia, com recorte do Brasil e da Bahia. A exposição será conduzida por Letícia Campos, da Universidade Federal da Bahia, reunindo indicadores sobre a representação das mulheres na mídia.

Na sequência, a presidenta da ABI, Suely Temporal, abordará o Protocolo como compromisso institucional com um jornalismo ético e socialmente responsável. A jornalista Suzana Alice Pereira, idealizadora do documento, apresentará o processo de construção coletiva do guia e seus fundamentos.

O eixo prático da oficina será conduzido pela jornalista Jaciara Santos, com foco na aplicação das diretrizes na rotina das redações, especialmente na cobertura policial, área onde a violência de gênero costuma ser tratada de forma apressada e, muitas vezes, descontextualizada.

O debate aberto será mediado por Cláudia Correia, da Comissão de Mulheres do Sinjorba, e o encerramento institucional ficará a cargo da presidenta do Sindicato, Fernanda Gama.

6ª Jornada de Mulheres reforça mobilização

A oficina integra a programação da 6ª Jornada de Mulheres do Sinjorba, que neste ano tem como tema “Lute como uma Jornalista – Diga NÃO ao feminicídio”. Ao longo do mês de março, a agenda reúne atividades de mobilização, formação e integração da categoria, reforçando o compromisso da entidade com a defesa da vida das mulheres.

Entre as atividades previstas estão:

  • 07/03 – Verão Pé na Areia: mini torneio de baleado, das 8h às 10h, na Terceira Ponte – Jaguaribe, com times mistos de mulheres e homens, incentivando a participação masculina na luta contra a violência de gênero.
  • 08/03 – Marcha 8M: ato unificado no Dia Internacional das Mulheres, às 9h, com concentração no Cristo da Barra e caminhada até o Farol da Barra.
  • 12/03 – Oficina do Protocolo Antifeminicídio: formação voltada à qualificação da cobertura da violência de gênero na imprensa.

Outras atividades podem ser incorporadas ao longo do mês.

Em tempos em que manchetes podem ferir ou cuidar, iniciativas como essa reforçam que o jornalismo não é apenas narrador dos fatos. Ele também molda imaginários, influencia políticas públicas e pode ser aliado no enfrentamento à violência, especialmente nas favelas e periferias, onde o direito à vida das mulheres ainda é diariamente colocado à prova.