O projeto de musicalização afro-brasileira Batuquemos encerrou sua primeira edição em Brasília deixando um legado de ritmo, identidade e fortalecimento cultural, especialmente para jovens e mulheres das periferias do Distrito Federal. A iniciativa promoveu oficinas de percussão que transformaram o aprendizado musical em ferramenta de educação, pertencimento e valorização da ancestralidade afro-brasileira.
Voltado ao público brasiliense, o Batuquemos movimentou o cenário cultural local ao criar espaços coletivos de convivência, troca e resistência, onde os tambores ecoaram como linguagem de união e consciência social. As atividades foram pensadas para ir além da técnica musical, reforçando a cultura afro como elemento central na construção de identidade nas periferias.
O encerramento do projeto marca o sucesso de um ciclo que impactou diretamente a vida dos participantes. Para André Luiz Santos, aluno que acompanhou o projeto desde o início, a metodologia adotada foi essencial para o aprendizado.
“O curso foi de muito aprendizado, porque além de aprender a tocar, a gente também aprendeu várias coisas da teoria, como tempo, solfejo e notas, o que deixa a gente muito mais completo na percussão”, afirma.


À frente do Batuquemos está a musicista Naiara Sousa, que acumula 16 anos de trajetória dedicada à percussão. Baterista e curimbeira, ela construiu sua formação cultural no Templo Espírita Mestre Tupinambá, em São Paulo, e hoje atua em Brasília como uma importante voz na difusão da cultura afro-brasileira, com foco no protagonismo feminino em um campo historicamente ocupado por homens.
“Chegamos ao fim da primeira edição do Batuquemos e eu fico muito feliz com tudo o que conseguimos construir, mesmo com muita luta e correria. Foi um processo intenso, mas muito significativo”, celebra Naiara.
Mais do que um curso, o projeto se consolidou como um espaço de resistência cultural e afirmação política, especialmente para mulheres negras das periferias do DF, que encontram na musicalização afro-brasileira um caminho de expressão, autonomia e fortalecimento coletivo.
Com o encerramento desta primeira edição, o Batuquemos já projeta novos passos. A proposta agora é descentralizar as ações, levando oficinas e vivências para diferentes Regiões Administrativas de Brasília, ampliando o acesso à cultura e fortalecendo ainda mais os territórios periféricos.
“A nossa intenção agora é levar o projeto para todas as Regiões Administrativas de Brasília, realizando rodas que fortaleçam a nossa cultura e valorizem cada vez mais a presença das mulheres nos instrumentos percussivos”, explica a professora.
Ao finalizar esse primeiro ciclo, o Batuquemos reafirma que a música afro-brasileira segue sendo uma poderosa ferramenta de transformação social, especialmente nas periferias, onde cultura, memória e resistência caminham juntas.














