Nesta sexta-feira, 5 de dezembro, às 18h, a Arena Cultural Dicró, na Penha, recebe a apresentação final do LabDicró Dança, projeto de residência artística que fortalece a produção cultural de artistas das favelas, periferias e subúrbios do Rio e da Baixada Fluminense. O espetáculo é gratuito e aberto ao público, celebrando a potência criativa de bailarinos que passaram 45 dias em formação intensiva.
A oitava edição do programa selecionou cinco projetos de artistas independentes, grupos e coletivos, que participaram de workshops, encontros presenciais, preparação cênica e ensaios. A proposta, segundo a equipe, é ampliar o acesso à formação profissional em dança e estimular novas cenas protagonizadas por artistas de territórios historicamente marginalizados.
Entre os projetos escolhidos estão:
- “Mar revolts”, de Kley Hudson;
- “Sobrevivências: o corpo insubmisso da periferia”, de Luyd Carvalho;
- “Cecília: Atravessamentos”, de Ester Machado;
- “Brazilian Runway”, de Laxxota;
- “O perigo de uma história branca: história negra do trap em diálogo com o house”, de Lari Souza.
As propostas abordam temáticas ligadas às populações LGBTQIAPN+, negra, indígena e moradores de favelas e periferias, reforçando a vocação da Arena Dicró como um território de criação, diversidade e afirmação identitária. Os residentes receberam bolsa de apoio financeiro de R$ 1.200 e tiveram acesso integral aos espaços da Arena para desenvolvimento de seus processos artísticos.
A formação contou com consultoria de Débora Campos, artista e coreógrafa, além de uma agenda de workshops com profissionais referência, como Nyandra Fernandes, Luana Bezerra, Tati Vilela e Cátia Costa.
Segundo Isabela Souza, diretora do Observatório de Favelas, o projeto reafirma o papel da dança como linguagem fundamental nos territórios populares:
“Aprendemos com nossos públicos que a dança é uma vocação territorial, que reúne e emprega muitas pessoas. Por isso, seguimos fortalecendo o LABDicró Dança como estratégia de valorização das trajetórias artísticas e da cadeia produtiva da cultura.”
O Dança na Dicró é patrocinado pela Prefeitura do Rio, Secretaria Municipal de Cultura e Smart Fit por meio da Lei do ISS, com realização do Observatório de Favelas, organização sediada na Maré e reconhecida pela atuação na defesa do direito à cidade e na valorização das favelas como territórios de potência.
A Arena Cultural Dicró, inaugurada em 2012, oferece cursos e atividades culturais como balé, passinho, charme, dança de salão, capoeira e teatro, sendo um polo de formação artística para a juventude da Penha e arredores.
O espetáculo deste domingo marca o encerramento de mais uma edição do LabDicró Dança, reafirmando o papel da cultura como caminho de afirmação, resistência e futuro para quem vive e cria a partir das favelas e periferias.














