Pesquisa revela que a maioria dos gamers no Brasil são mulheres.
Segundo dados da Pesquisa Games Brasil (PGB) de 2024, 85,2% da população brasileira afirma jogar algum tipo de videogame, e dentro desse número, o público feminino representa 51,9%. Esses dados apontam a mudança que ocorreu no mercado de jogos ao longo dos anos, e eventos como a BGS (Brasil Game Show), são espaços para elas ganharem visibilidade.
Mariana Ayrez é apresentadora e trabalha na área de games há 13 anos, concorda que as mulheres conquistaram muito espaço, mas acredita que nos últimos anos, houve uma queda: “O mundo dos jogos não acolhe as mulheres, nunca acolheu, mas eu penso que a gente conquistou muita coisa. Acho que nos últimos tempos deu uma retrocedida”. “Eu acho que hoje a gente a gente banca mais o nosso espaço, a gente defende mais as amigas, a gente bate mais no peito”, continuou.
Ayrez também acredita que na criação de jogos as mulheres ainda têm poucas oportunidades, mas enxerga melhora: “Acho que há pouca presença feminina no desenvolvimento (dos jogos) e nas empresas que desenvolvem jogos, mas eu também acho que comparado com anos atrás a gente tá progredindo cada vez mais”, afirma.

A produtora de jogos, Iara Jane, também conhecida como Jay, trabalha na área há quase cinco anos e atualmente está divulgando o jogo “Last Flag”, que tem como objetivo roubar a bandeira do adversário. Ela se considera sortuda por ter trabalhado em equipes com muitas mulheres: “Desde que eu comecei, parece que a cada ano eu trabalho com mais mulheres”, disse.
Além do desenvolvimento de jogos, as mulheres também se fazem presentes em lives de jogos, como no caso de Juliana Ventura, mais conhecida como Zuzu, que começou em 2015, e hoje em dia é atriz e dubladora, relatou casos em que recebeu ataques através de comentários na internet: “Na internet, nós, mulheres, às vezes sofremos com o lado obscuro. Eu já tive problema com stalker, gente que fica te perseguindo. As pessoas fazem montagens suas e jogam em sites não apropriados, só por você estar lá”.
“Parece que as pessoas estão um pouquinho mais mente aberta, tipo: você não precisa odiar as mulheres só por existirem no jogo online”, desabafa ela. “Talvez esteja melhorando, mas eu não tenho tanta certeza, porque sempre vai existir aquela comunidade que vai tentar te derrubar”, reflete Juliana.



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