Foto: Camila Ibiapina/ ANF
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Espaço cultural homenageia a matriarca do samba e reforça a preservação da memória afro-brasileira no Rio de Janeiro.

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Foi inaugurada nesta quinta-feira (25), na Rua Camerino, nº 32, no Centro do Rio de Janeiro, a Nova Casa da Tia Ciata. A cerimônia, que reuniu autoridades, sambistas e representantes de movimentos culturais, celebrou a força e o legado de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, considerada uma das principais figuras na formação do samba carioca.

O novo espaço se localiza na região conhecida como Pequena África e chega com a proposta de ampliar as atividades culturais, educativas e comunitárias. A inauguração foi marcada por muita tradição, com o Cortejo de Ciata, o Bloco Batuke de Ciata, a roda de Samba da Cabaça e apresentações de jongo, percussão e capoeira, conduzidas pelos oficineiros Daniela Gomes, Leonardo Dias e Mestre Tarobinha.

Nascida na Bahia em 1854, Tia Ciata se mudou para o Rio aos 22 anos e transformou sua casa em um dos principais redutos de resistência cultural afro-brasileira. Foi em sua residência que sambistas se reuniam para criar músicas que mais tarde se tornariam marcos da música popular brasileira.

Com a nova sede, a Organização dos Remanescentes de Tia Ciata (ORTC) busca dar continuidade a esse legado, oferecendo rodas de samba, oficinas, exposições permanentes e projetos voltados à valorização da cultura negra.

O evento também contou com falas inspiradoras das pesquisadoras Karine Alves Matias, Luana de Brito Cerqueira e Art Amaro de Farias, que trouxeram reflexões sobre a presença e importância de Tia Ciata no Recôncavo Baiano.

Em um momento de forte emoção, Gracy Mary Moreira, bisneta de Tia Ciata e gestora da Casa, destacou a importância da preservação da memória da matriarca: “Aqui vai ser o centro de referência do legado e memória da Tia Ciata. A gente está trazendo isso de uma forma sucinta, de um modo que as pessoas vão entender esse legado. Trazendo o passado e o presente para um futuro. A gente faz isso capacitando pessoas nesse lugar”, afirmou.

Também participaram da cerimônia Kleytton Morais (Fundação Banco do Brasil), Hamilton Silva (MDHC), Eliel Moura (Fundação Palmares) e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que reforçou o compromisso do governo com a valorização da cultura afro-brasileira.

A inauguração da Nova Casa da Tia Ciata é um marco para a memória da Pequena África, região histórica do Rio que concentra pontos fundamentais da herança africana e da resistência negra no Brasil, reafirmando a centralidade de Tia Ciata como símbolo da cultura e identidade do povo negro.