Foto: Carolina Guerreiro
Ajude a promover a comunicação comunitária
Google Logo Seguir no Google

O cinema baiano ganha projeção internacional nesta sexta-feira (26) com a estreia mundial do curta-metragem Nevrose, dirigido pela cineasta Ana do Carmo, no Atlanta Women’s Film Festival, em Atlanta, nos Estados Unidos. O evento celebra obras realizadas por mulheres ou que tenham personagens femininas em destaque e segue até domingo (28).

Publicidade

O filme é produzido pela Saturnema Filmes, em parceria com a Daza Filmes, e tem produção executiva de Rubian Melo. A exibição em um festival que valoriza a assinatura artística feminina marca um passo importante para o cinema feito por mulheres negras na Bahia e no Brasil.

“Ver nosso filme chegar a Atlanta é motivo de orgulho, sobretudo em um festival que celebra a assinatura artística de mulheres. Estar nesse espaço com uma obra concebida e realizada por uma equipe majoritariamente feminina e negra é reafirmar a potência e pluralidade do cinema baiano e brasileiro. Mais do que exibir um filme, é compartilhar perspectivas de mundo e repaginar imaginários, afirmando que temas existencialistas também nos pertencem”, afirma a diretora Ana do Carmo.

Enredo inspirado em escritora do século XIX

O curta Nevrose é inspirado nos contos Nevrose e A Suicida, da escritora Délia, do século XIX, e deriva do corte da diretora no capítulo homônimo que integrou o longa antológico Insubmissas. A trama acompanha Francisca, médica vivida por Josi Varjão, que, consumida pela culpa da morte da filha, se torna obcecada por salvar vidas. Tudo muda quando ela encontra Elizabete, interpretada por Tainah Paes, uma mulher que não deseja ser salva. O elenco conta ainda com Sara Barbosa e Jota Silva.

Foto: Carolina Guerreiro

Com 16 minutos de duração, o suspense trabalha dilemas existencialistas e sociais, trazendo para a tela discussões urgentes sobre vida, morte e a autonomia das escolhas individuais.

Próximas exibições e o fortalecimento do cinema negro

Após Atlanta, Nevrose fará sua estreia nacional no Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul: Brasil, África, Caribe e outras Diásporas – 18 anos, no Rio de Janeiro. O festival, referência na difusão de produções negras, ainda não divulgou a data oficial da edição de 2025.

A produção reafirma o protagonismo da Saturnema Filmes, produtora baiana formada por equipe 100% negra, especializada em ficção científica, terror e fantasia. Com mais de 30 prêmios conquistados e exibições em mais de 10 países, a Saturnema prepara para 2026 a gravação de seu primeiro longa-metragem, Sol a Pino, também dirigido por Ana do Carmo.

A distribuição de Nevrose fica a cargo da Tarrafa Produtora e Distribuidora, de Pernambuco, que desde 2014 atua com foco em obras de cineastas negras, já tendo distribuído mais de 60 curtas-metragens no Brasil e no exterior.

O sucesso internacional de Nevrose representa não apenas um marco para o cinema baiano, mas também para o fortalecimento do audiovisual feito nas periferias e por mulheres negras, reafirmando que as histórias da Bahia e das favelas dialogam com o mundo.