Foto: Suellen Barbosa
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Recife – Até o dia 23 de setembro, o Museu Cais do Sertão recebe a exposição “Nostalgia: memória e infância negra”, do artista visual Afro’G, que convida o público a mergulhar em lembranças da infância negra brasileira, com referências diretas às vivências das favelas e periferias urbanas.

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A mostra reúne obras que mesclam arte urbana, fotografia e elementos afetivos do cotidiano periférico, resgatando brinquedos populares, brincadeiras de rua e cenas familiares que marcaram gerações de crianças negras. Para Afro’G, a proposta é valorizar essas memórias como parte fundamental da identidade cultural afro-brasileira.

“Espero que cada visitante se sinta acolhido e veja sua própria infância representada, mesmo que de formas diferentes. A exposição é uma homenagem às memórias boas que nos formam”, destaca o artista.

Além da experiência artística, Afro’G promove uma campanha solidária de arrecadação de brinquedos durante todo o período da mostra. Os itens serão doados no Dia das Crianças para famílias da Favela do Detran, em Recife, comunidade onde o artista nasceu e cresceu. A iniciativa reforça a conexão entre memória, infância e solidariedade, transformando lembranças afetivas em gestos concretos de cuidado com outras infâncias negras e periféricas.

A exposição integra a programação do Cais do Sertão dedicada à valorização da cultura negra e periférica. A entrada é gratuita, com visitação de terça a sexta-feira, das 10h às 16h, e aos sábados e domingos, das 11h às 17h.

Página da exposição: @nostalgia.afrog

Sobre o artista

Afro’G (Ricardo Gabriel) é artista plástico e grafiteiro recifense, nascido e criado na Favela do Detran. Sua obra transita entre o afrofuturismo e a cultura negra periférica, consolidando um estilo autoral que ele denomina afromodernismo.

Desde a infância, produzia arte com materiais reciclados, oferecidos por sua avó, Dona Joana. Filho e neto de catadores de recicláveis, Afro’G iniciou sua trajetória profissional em 2019 e desde então ocupa espaços urbanos com murais que afirmam identidade e pertencimento, como o painel de 160 metros no tapume da Ponte Princesa Isabel e os 12 painéis afrofuturistas no Túnel Josué de Castro.

Sua produção artística valoriza o cotidiano da infância na periferia e ressignifica elementos da cultura negra, dialogando entre passado, presente e futuro. A moda afro, a música e as vivências da favela são fontes centrais de sua inspiração.

Afro’G já expôs em São Paulo e tem obras espalhadas em países como Estados Unidos, Argentina, Holanda e Escócia, além de parcerias com marcas como Converse e Kenner.