Foto: Gabriel Pinheiro
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Em meio aos desafios ambientais e sociais do Brasil, uma jovem estudante da rede pública da Bahia encontrou na ciência uma ferramenta de transformação. Maria Luiza Dantas, integrante do Clube de Ciências Orbitz, em Salvador, desenvolveu um protótipo de placas para a construção civil utilizando resíduos de papel, fibra de coco verde e uma pequena quantidade de gesso. A iniciativa promete reduzir custos e impactos ambientais, oferecendo alternativas acessíveis também para obras em favelas e periferias.

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O bioma da Caatinga, predominante no Nordeste, é um dos mais ameaçados do país. No polo gesseiro, a produção ainda depende do uso de madeira, acelerando o desmatamento — apenas 57% da vegetação nativa está preservada, segundo o MapBiomas. Pensando em soluções mais sustentáveis, Maria Luiza buscou no reaproveitamento de resíduos uma saída inovadora.

“Eu queria algo que fosse, ao mesmo tempo, sustentável e moldável. Depois de muitos testes, encontrei a melhor fórmula com papel, fibra de coco e gesso. Assim consegui um material durável, de baixo custo e que pode ser utilizado em diferentes construções”, explica a jovem cientista.

As placas criadas pela estudante também contribuem para o conforto térmico dos ambientes, podendo ser aplicadas em forros e divisórias. Essa característica é especialmente importante em áreas de calor intenso, como nas casas das periferias, onde a ventilação nem sempre é suficiente para garantir bem-estar.

As professoras orientadoras Fernanda Pereira e Valéria Danielly destacam que o projeto vai além da pesquisa escolar: ele estimula a economia circular, diminui custos na construção civil e pode chegar diretamente às comunidades. “Se esse conhecimento não ultrapassa os muros da escola e não chega à comunidade, não faz sentido a educação. É preciso que a ciência também esteja a serviço das pessoas que vivem nas favelas e periferias”, afirma Valéria.

O trabalho de Maria Luiza integra a série Bahia Faz Ciência, iniciativa da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que valoriza jovens cientistas e pesquisadores baianos comprometidos em encontrar soluções práticas para melhorar a vida da população.