Foto: André Fernandes/ANF
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Morreu nesta sexta-feira (5) o documentarista Silvio Tendler, um dos mais importantes nomes do cinema brasileiro, aos 75 anos, no Rio de Janeiro. Conhecido como o “cineasta dos vencidos” e o “cineasta dos sonhos interrompidos”, ele marcou a história do audiovisual com filmes que resgataram personagens fundamentais da memória política do país.

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Tendler estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, e faleceu em decorrência de uma infecção generalizada. Há cerca de dez anos, enfrentava uma neuropatia diabética, doença degenerativa que atinge o sistema nervoso. O velório será realizado neste domingo (7), com enterro às 11h, no Cemitério Comunal Israelita do Caju, na região portuária do Rio. Ele deixa uma filha e um neto.

Dono de uma trajetória rara no documentário, Silvio Tendler foi um dos poucos a conquistar tanto prestígio crítico quanto sucesso de público. Dirigiu mais de 70 produções, entre longas, médias e curtas, e alcançou milhões de espectadores nos cinemas. Seu maior êxito foi O Mundo Mágico dos Trapalhões (1981), visto por 1,8 milhão de pessoas. Já Os Anos JK – Uma trajetória política (1980) reuniu 800 mil espectadores, números históricos para o gênero.

A chamada “Trilogia Presidencial” tornou-se sua marca registrada:
• Os Anos JK – Uma trajetória política (1980), sobre Juscelino Kubitschek;
• Jango (1984), sobre João Goulart;
• Tancredo: A travessia (2011), sobre Tancredo Neves.

Esses filmes consolidaram sua reputação como o documentarista que deu voz à memória política e aos protagonistas de um Brasil interrompido por golpes, tragédias e disputas históricas.

Tendler começou sua militância audiovisual ainda nos anos 1960, no movimento cineclubista, liderando a Federação de Cineclubes do Rio em 1968. Durante a ditadura militar, viveu no Chile e na França, onde se formou em História pela Universidade de Paris VII (Paris Diderot) e fez mestrado em Cinema e História pela École des Hautes Études – Sorbonne.

Professor da PUC-Rio, membro da ABI e colaborador de instituições como a UNESCO, Tendler também foi reconhecido com distinções como a Ordem de Rio Branco (2006) e a Ordem do Mérito Cultural (2025), concedida pelo governo federal.

Silvio Tendler tinha ainda planos em andamento. A Agência de Notícias das Favelas (ANF) havia convidado o documentarista para dirigir o documentário “E Favela tem Voz?”. O longa seria um mergulho nos territórios populares, mostrando a favela “de dentro para fora”, com o morador como protagonista de sua própria história. Com a morte de Tendler, o projeto permanece inacabado, mas simboliza um dos últimos gestos de um cineasta que dedicou a vida a dar visibilidade às vozes historicamente silenciadas.

A morte de Silvio Tendler representa a perda de uma voz única do cinema nacional, alguém que soube contar histórias de resistência, esperança e ruptura. Sua obra seguirá como testemunho de que a memória é ferramenta de luta, e de que os sonhos interrompidos podem ser revisitados, eternizados e compartilhados por meio da arte.