Foto: Divulgação
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O cinema feito na Bahia estará em evidência na 2ª edição do Cine SESI, que acontece entre os dias 2 e 9 de setembro em Salvador. Ao longo de sete dias, serão exibidos curtas e longas-metragens, além de oficinas, painéis, atividades lúdico-pedagógicas e sessões ao ar livre, todas com acesso gratuito. A expectativa é receber cerca de 1,2 mil espectadores entre baianos e turistas.

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Sob o tema “Cinema Baiano sem Fronteira”, a mostra busca valorizar a diversidade das narrativas produzidas no estado, ampliando o alcance para além da capital. A curadoria de Heraldo de Deus, Dayse Porto e Rubian Melo propõe quatro linhas de exibição: Baianinha (voltada ao público infantil), Homenagem (com obras ligadas a Antonio Pitanga), Outros Centros (filmes produzidos no interior da Bahia) e Além das Fronteiras (coproduções e títulos que circulam em outros estados e países).

A abertura oficial acontece nesta  terça (2), à partir das 19hs, na Sala Letieres Leite (SESI Casa Branca), com performance da DJ Nate Mônaco e a presença de Antonio Pitanga, homenageado desta edição. O ator baiano é celebrado como ícone do Cinema Novo e figura central da arte brasileira. “Sua trajetória é feita de coragem, arte e resistência, e inspira todos nós a acreditar que a cultura transforma, liberta e une”, afirma Joana Fialho, gerente de Cultura do SESI Bahia.

Foto: Isabel Ramos

Oficinas como espaço de formação e empoderamento

A programação formativa começa logo no primeiro dia com a oficina “Resenha em Cena: Crítica Cinematográfica e Criação de Conteúdo para a Web”, ministrada por Ana do Carmo e Vilma Martins. Para Ana, a proposta é um divisor de águas:

“Por muito tempo eu não me via dentro do espaço acadêmico porque estudava uma filmografia eurocêntrica. Hoje, pensar crítica e análise a partir de filmes feitos em Salvador é revolucionário. Queremos mostrar que todas as pessoas têm voz e podem se apropriar da crítica como ferramenta de expressão”, diz.

Vilma reforça a importância de democratizar esse olhar crítico:

“A crítica de cinema sempre foi muito restrita a pessoas brancas, de classe média, ligadas à universidade. Trazer jovens de periferias, mulheres, pessoas negras e LGBT para esse espaço significa diversificar olhares e valorizar produções locais que muitas vezes são invisibilizadas.”

As duas destacam ainda o caráter de empoderamento que oficinas como essa podem oferecer. “Quando nós, mulheres negras baianas, conduzimos um espaço de formação, trazemos referências diferentes e mostramos que o cinema também é nosso território. Isso inspira outros jovens a acreditar que podem permanecer e produzir em suas comunidades”, ressalta Ana.

Cinema como ferramenta coletiva e de pertencimento

Um dos objetivos do Cine SESI é romper com o circuito tradicional de festivais e centros urbanos, aproximando o audiovisual de públicos que nem sempre têm acesso às salas. Para Ana, só o fato de a mostra estar localizada na Cidade Baixa já é transformador:

“O Cine SESI se conecta às comunidades, criando um sentimento de pertencimento. É um espaço coletivo, onde quem assiste também se reconhece como parte do processo de fazer cinema.”

Vilma lembra que a cena baiana se fortaleceu justamente pela coletividade:

“O cinema é sempre coletivo. A gente aprende junto, se apoia e se referencia. É fundamental homenagear e escutar uns aos outros, porque estamos construindo um cinema negro e periférico que já tem trajetória, não está começando agora.”

Programação diversa e acessível

Ao longo da semana, o público terá acesso a títulos como Olhos de Cachoeira, Quando as Ondas do Mar Desligam, A Bahia me Fez Assim, 5 Fitas, Kaapora, o Chamado das Matas, O Pagador de Promessas e Rosa Tirana. Além das sessões, haverá debates com realizadores, painéis sobre incentivo ao audiovisual, oficinas de direção de fotografia, produção e narrativas de humor.

Outro destaque é a sessão de cinema ao ar livre, que acontece na quarta (3), às 19h30, no Centro Cultural SESI Rio Vermelho, com a exibição de A Bahia me Fez Assim, de Sérgio Machado, em um telão de 7,30 x 4,80 metros.

O encerramento da mostra será no dia 9, às 20h, no SESI Rio Vermelho, com festa comandada pela DJ Libre Ana, após a exibição do clássico A Grande Feira (1961), de Roberto Pires, que conta com Antonio Pitanga no elenco.