O jornalista ítalo-brasileiro Mino Carta, fundador e diretor da revista Carta Capital, faleceu nesta terça-feira (2), aos 91 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A informação foi confirmada pela revista Carta Capital, que destacou que ele estava internado há cerca de duas semanas em uma UTI. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido em 6 de setembro de 1933, em Gênova, na Itália, Demetrio Carta — que ficaria conhecido simplesmente como Mino — chegou ao Brasil em 1946, ainda adolescente. Em 1951, ele entrou na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), mas não concluiu o curso. Sua carreira jornalística se confunde com a história da imprensa brasileira no século XX e início do XXI.
Mino esteve à frente da fundação e direção de algumas das mais influentes publicações do país. Criou e consolidou títulos como Quatro Rodas e Veja, liderou o Jornal da Tarde e lançou a revista IstoÉ. Em 1994, fundou a CartaCapital, que dirigiu por décadas, transformando-a em uma referência de jornalismo crítico, analítico e alinhado a debates sociais e políticos.
Além do trabalho na imprensa, dedicou-se à literatura. Publicou romances como O Castelo de Âmbar (2000), A Sombra do Silêncio (2003) e A Vida de Mat (2016). Sua escrita literária, assim como sua atuação jornalística, carregava marcas de profundidade crítica e estilo refinado.
Ao longo da carreira, Mino Carta recebeu diversas honrarias, entre elas o título de doutor honoris causa pela Faculdade Cásper Líbero e o prêmio de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque, concedido pela Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil em 2006.
Figura polêmica, combativa e apaixonada pelo ofício, Mino era conhecido por sua defesa firme da democracia e pela visão de que o jornalismo deveria sempre cumprir o papel de fiscalizar o poder.
Nos últimos anos, vinha enfrentando problemas de saúde e passou a se afastar progressivamente das funções executivas da CartaCapital. Ainda assim, manteve presença marcante no debate público, em colunas, artigos e entrevistas.
Sua morte representa uma perda significativa para o jornalismo brasileiro. Profissionais da imprensa, leitores e personalidades políticas manifestaram pesar pela partida de um dos nomes mais influentes da comunicação nacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou pesar pela morte do jornalista, em homenagem, o presidente decretou três dias de luto oficial no país. “Se hoje vivemos em uma democracia sólida, se hoje nossas instituições conseguem vencer as ameaças autoritárias, muito disso se deve ao trabalho deste verdadeiro humanista, às publicações que dirigiu e aos profissionais que ele formou”, afirma Lula em sua mensagem.
Mino Carta deixa um legado de compromisso com a informação, a ética e a crítica social, marcas que permanecem vivas em sua obra e nos veículos que ajudou a fundar.














