Sinaleiras

Créditos: Reprodução da internet

Vidros fechados
Transitavam carros pela sinaleira
Ignorando aqueles menores em sua maioria de cor negra
Desgraçados assim seriam expostos a classificação social
Os ocupantes dos veículos exibiam a sua passividade social
Orgulhando-se de não ter nada a ver com isso
Omissos perseguidores e preconceituosos
Às vezes sentiam-se mediocremente orgulhosos
Orgulhosos de suas crias escolas particulares frequentarem
Não só as escolas, mas academias, shoppings e diversos outros “bons” lugares
Via todos os dias agonia daqueles infelizes
Mas o toque dos seus celulares os traziam de volta as suas raízes;
Burguesas intensas conservadoras e gananciosas
Verdadeiros exurpadores sociais
Algozes daqueles garotos eles de fato eram
Mas optavam por não raciocinar pelo viés da lógica
Da discrepância social
– da uma moeda tio?
O sinal negativo feito por dedos que não poderiam lhes doar moedas
Mas poderiam propiciar constrangimentos
quando não agressões diretas
Pagas essas pelos próprios impostos públicos
Quando excedentes e incômodos aos olhos dos privilegiados
Os grupos de extermínio logo são acionados
E são vidas humanas e desprovidas de sorte
Que entregues ao leo encontram em cruéis assassinos, a sentença de morte
Sentença já decretada, não na mira da .40
Mas nas sentenças não condenatórias dos desvios
de educação, esporte e lazer
De um estatuto da criança e adolescente
que não permite aos mesmos sequer tratar os próprios dentes
De um suco gástrico feito sem ter o que processar
pois alimento para tal de fato não há
E não faltam só: alimentação, educação, segurança e moradia
Falta de fato ação e diria-me agora Cazuza um poeta verdadeiro:
“Brasil mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim…”
Caras que utilizam perfis estéticos diferentes dos reais algozes desses garotos subnutridos
Caras brancas que não conseguem ver além do próprio umbigo
Menores sempre em condições de pena
Tamanha condição negada de dignidade
Maldades, mazelas maiores ainda poderiam estar por vim
Se sobreviventes destinos clamados estão
Morador de cadeia, favelado ou ladrão
Homicidas leões de chácara do sistema
Mas nós nada temos com isso
A nós cabe fechar os vidros apenas
Sinaleiras…


Sergio Carvalho
CEO
Afroparceiros produções culturais

Um novo lema em cultura negra