Preconceito racial e vida acadêmica ganham destaque em debate

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Créditos: Fransérgio Goulart

Privilégio e racismo nas universidades foram os grandes temas do encontro “Pra que e pra quem serve as pesquisas nas favelas?”, que aconteceu em 11 de fevereiro no Morro do Borel, Zona Norte do Rio. Fizeram parte da mesa de discussão a militante do Fórum Social de Manguinhos e pesquisadora da Justiça Global Monique Cruz e o mestrando em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas pela Faculdade de Educação da Baixada Fluminense – FEBF/ UERJ Samuel Lima.

“O debate do último sábado trouxe o fato de que temos que ocupar a universidade para garantir que tenhamos literatura científica preta nos currículos. Vamos disputar com os privilegiados brancos da academia a construção do conhecimento”, afirma Fransérgio Goulart, um dos fomentadores do espaço.

O participante Samuel Lima, que também atua no mundo do funk com a Fortaleceu Produções, ressalta a importância da construção de narrativas e conceitos vindos da população negra e favelada: “Falamos bastante de contra-conceitos, mas já temos bagagem suficiente para criar nossos próprios conceitos”, explica.

Monique Cruz enxerga o espaço de discussão do grupo como um ponto agregador para pensar a própria produção acadêmica periférica:

– Espero que com esse e os próximos encontros possamos de fato dar um fim útil ou transformar em meio de luta e transformação as nossas produções, seja como militante ou profissional. Tem sido um espaço de formação importante para aqueles e aquelas que estão habituados com processos verticais de produção do conhecimento.

O próximo encontro do grupo acontece em 25 de março no Complexo do Alemão com o tema “Uma guerra chamada paz”.