Quanto vale uma vida?

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Refletindo após a postagem do escritor Bruno Rico sobre um caso que aconteceu na semana do Natal, quando um homem se jogou do quarto andar de um shopping center em Madureira, me peguei na reflexão do seguinte ponto: os efeitos do capitalismo. Ali, onde o capitalismo mostra sua face, um homem se jogou. Talvez, não tivesse dinheiro para comprar um presente de Natal para dar ao filho, como o Bruno disse. Mas também penso em como ele devia se sentir inútil num mundo onde você vale o que tem.

Quero relembrar ainda o caso de uma professora que, após o descaso do Estado em não pagar seus serviços, pôs fim a própria vida. Quantas vezes, eu mesmo, desempregado, me vi nessa situação? Hoje, penso que ou fui muito covarde para não ter o mesmo fim ou que sou corajoso demais para viver em um mundo onde o egoísmo e a ganância de meia dúzia fazem criança pedir paz na carta pro Papai Noel.

Quantas vidas não são findadas porque os capitalistas visam apenas o seu lucro? Será que o dinheiro vale mais que uma vida? Depressão é coisa séria, mas o que mais me mata é ver que fatores externos têm influenciado cada vez mais pessoas. O pior é que, por tabu ou por falta de interesse, a grande mídia parece não ver isso como um problema.

Há quem diga que não há salvação nesse país, mas ainda acredito no valor da vida e no valor humano. No fim, somos nós os responsáveis pela revolução – a começar pela gente mesmo. O genocídio ao pobre continua, invisibilizado pela mídia e autorizado ao Estado. Vemos os professores mais baratos do mundo pedindo ajuda, se aniquilando, resistindo, lutando… Quem valoriza um professor transforma uma sociedade. Não podemos deixar que deem um preço à nossa vida, porque ela tem valor. Não somos descartáveis, embora tentem nos tornar, ainda que usem nossa mão de obra, sugar todo nosso suor e depois nos trocar como se fôssemos um objeto.

Como já dizia A286, “minha vida vale mais que o tombo do meu inimigo”.

 

O CVV – Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e Voip 24 horas, todos os dias. Você pode conversar com um voluntário do CVV ligando 141 ou indo diretamente ao posto de sua região. Mais informações no site https://www.cvv.org.br/