Falsos Poetas e Falsos Profetas

O pastor Renato Vargens afirma, no blog Pleno News, diz que “um falso profeta é aquele que afirma falar em nome Deus, sem contudo representar a Deus ou mesmo pertencer a Ele. Além disso um falso profeta propaga ensinos antagônicos as Escrituras, tomando para si uma autoridade que não lhe pertence afirmando ser aquilo que Deus diz que Ele não é.”

Fazendo uma analogia artística da palavra, eu acredito que um falso poeta é quem luta contra seu próprio povo. É aquele (a) que, independentemente do uso erudito ou coloquial da língua, matéria prima da poesia, se conhecedor profundo ou superficial das figuras de linguagem ou do talento para a arte, utiliza dessas ferramentas para destilar seu ódio e repugnância ao ser humano.

E desses falsos poetas nossa plêiade está repleta. Tem deles que defendem o extermínio de jovens negros nas periferias, acreditam que quanto menos direitos sociais mais o povo será feliz. Vários falsos artistas pregam que não é necessário o financiamento das atividades culturais e educacionais e que o Estado não tem obrigação de cuidar de sua população.

Há, inclusive, os que defendem que um governo fascista, machista, homofóbico, misógino, destruidor do meio ambiente, defensor da ditadura e contra os direitos humanos é o melhor de todos os tempos.

E fazem tudo isto e muito mais sob o argumento de que possuem direito de falar o que quiserem, escrever o que desejarem, porque têm liberdade de expressão, inclusive, para difamar, mentir, espalhar notícias falsas, pregar o ódio e a intolerância social, religiosa e excluir as minorias. A poesia, porém, tem missão nobre, tornar leitores e escritores mais humanos.

* Matéria publicada no Jornal A Voz da Favela, Salvador, edição de janeiro 2019

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Valdeck Almeida de Jesus
Valdeck Almeida de Jesus é jornalista definido após várias tentativas em outros cursos, atua como free lancer, reconhecendo-se como tal há bastante tempo. Natural de Jequié-BA (1966), e escreve poesia desde os 12, sendo este o encontro com o mundo sem regras. Sua escrita tem como temática principal a denúncia: política, de gênero, de raça, de condição social, de preconceitos diversos: machismo, homofobia, racismo, misoginia. Coordena o movimento “Galinha pulando”, o qual pode ser visto no blog, no site e nas publicações impressas. Este movimento promove anualmente um concurso literário, aberto a escritores(as) do Brasil e do exterior. A poesia lhe trouxe o encantamento, mundos paralelos, as trocas, a autocrítica, a projeção de si e de outro(s), maior consciência de classe e de coletivo. Espera que as sementes plantadas se tornem árvores, florescendo e frutificando em solos assaz diversos. Possui 23 livros autorais e participa de 152 antologias. Tem textos publicados em espanhol, italiano, inglês, alemão, holandês e francês. Participa de vários coletivos da periferia de várias cidades, bem como de algumas academias culturais e literárias.