CORRE Coletivo Cênico realiza atividades artísticas no interior da Bahia

O projeto de performance urbana LEVANTE, é uma realização do CORRE Coletivo Cênico, que ai mobilizar a juventude baiana para a criação de performances em multidão.

Serão realizadas vivências artísticas e educativas para jovens, adolescentes e artistas locais das cidades de Alagoinhas (24 a 27 de outubro), Cachoeira (06 a 10 de novembro) e Salvador (13 a 16 de novembro).

Tendo como eixos norteadores os conceitos de autonomia, civilidade, comunidade, direitos civis, território e memória, o CORRE convocou artistas contemporâneos para compartilharem suas pesquisas artísticas ao longo de três dias em cada município. São eles: o artista plástico e grafiteiro Pinho Blures, ou JoseMAR Blures, em Alagoinhas; a performer e artista plástica Tina Melo, em Cachoeira; e os artistas da cena indígena Caboclo de Cobre e Queisy.

As atividades são voltadas principalmente a jovens e adolescentes de escolas da rede pública de ensino e artistas locais. A primeira cidade a receber o projeto é Alagoinhas, de 24 a 27 de outubro de 2023. As vivências ocorrerão especialmente para os estudantes do Colégio Modelo e as atividades serão realizadas no Centro de Cultura de Alagoinhas. Já os artistas locais podem se inscrever através de link no perfil do Instagram @corre_ba.

*Corpo Território*

Um debate sobre o lugar do masculino e a masculinidade na atualidade, questionando as características hegemônicas e, quase sempre, excludentes. É o objetivo da “Vivência Corpo Manifesto – Visualidades Insurgentes”, a ser conduzida pelo artista visual joseMAR Blures. Uma armadilha artística, para abrir um ciclo de debates provocativos, inventivos com a juventude e artistas de Alagoinhas, para a criação visual de outras narrativas do masculino e de seus corpos dissidentes.

Juventude e artistas – CIS e TRANS – terão acesso a conceitos de arte contemporânea, serão convocados a debates sobre masculinidades, corpos dissidentes e performatividade de gênero. “Durante a vivência irei provocar a linha tênue entre liberdades e cárceres, de um corpo coletivo, territorial e simbólico, para tratar de microviolências e casos de superação, fazendo da relação arte e vida um ambiente de produção”, pontua o artista alagoinhense.

“A vivência é para todos os gêneros e buscaremos trabalhar as potencialidades criativas distintas deste coletivo – pintura, desenho, poema visual, ocupação urbana, fotografia, vídeo, performance. Após a parte expositiva e criativa, iremos criar uma cena visual dentro do tema proposto”, explica Blures.

*Contexto*

Há duzentos anos uma grande mobilização popular culminou na Independência da Bahia, no dia 2 de julho de 1823. A libertação política de um território de sua colônia. Mas, no contexto atual, muitos são os corpos aprisionados em preconceitos e violências sociais – racismo, machismo, lgbtfobia, entre outros – que impedem o deslocamento destes corpos. É neste ponto que surge o projeto LEVANTE!, que busca questionar as idéias de independência e afirmação dos sujeitos na sociedade. O ponto de vista está sob o sujeito ao invés do território, como fora há dois séculos.

*Afirmação*

O CORRE Coletivo Cênico dedica-se a pesquisa artística sobre as masculinidades e dissidências sociais, tendo como base as narrativas de seus integrantes: homens gays, autodeclarados pretos, oriundos ou com passagens pelo interior da Bahia, alguns vivendo com HIV, alguns drag queens. Criado em 2019, ao longo de sua trajetória, o grupo realizou criações cênicas, performances virtuais, debates online e encontros de acolhimento para homens gays.

Dentre as obras, destaca-se o espetáculo virtual “PARA-ÍSO”, criado a partir da Lei Aldir Blanc, sendo indicado ao Prêmio Braskem de Teatro, nas categorias Melhor Espetáculo Adulto, Texto e Direção, vencendo nesta última. O grupo acaba de estrear seu primeiro espetáculo presencial, “peça Museu do Que Somos”, com temporada em outubro de 2023, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves.

A ação performativa – contemplada pelo edital Diálogos Artísticos – Bicentenário da Independência na Bahia e tem apoio financeiro da Fundação Cultural do Estado da Bahia, unidade vinculada à Secretaria de Cultura (Funceb/SecultBa) – tem por objetivo provocar o debate sobre liberdade e independência dos sujeitos na contemporaneidade.