“Comigo Ninguém Pode”: artista faz exposição artística de personagens da periferia do Recife

A mostra “Comigo Ninguém Pode” reúne 57 obras do artista recifense, Jeff Alan, que celebra as vivências e as culturas negras em suas pinturas, exibindo as feições, texturas e tons retintos de personagens reais da periferia do Recife.

No sábado (11), às 16h, acontece o Diálogo e Encontro Intercultural e Valorização das Comunidades Quilombolas, que reunirá Jeff Alan e Bruno Albertim para uma conversa mediada pela artista e historiadora Rebecca França. O debate visa a evidenciar os pontos de ligação entre a ancestralidade e a prática artística.

A mostra teve abertura na última terça-feira, 7, tem entrada gratuita e fica em cartaz até 28 de janeiro de 2024. CAIXA Cultural Recife – Av. Alfredo Lisboa, no 505, Bairro do Recife.

Visitação: terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h Classificação indicativa: Livre

Acesso para pessoas com deficiência

Entre as obras selecionadas pela curadoria de Bruno Albertim, as pinturas de pessoas pretas preenchem as molduras dos quadros dando a elas o protagonismo que historicamente lhes foi negado, um traço político que fundamenta a trajetória artística de Jeff.

“Jeff Alan tem em sua arte, com habilidade incomum numa época ainda de desmaterialidades, um vetor de sensibilidade aguda para o preenchimento de não-lugares da memória social de uma urbanidade recifense precariamente construída sob o amargo da cana de açúcar”, comenta o curador.

Nos mais de 50 trabalhos figurativos presentes na exposição, dos quais 19 deles inéditos, em dimensões diversas, em acrílica sobre tela e desenho sobre papel, ele retrata o cotidiano e o movimentar das ruas por onde passam personagens que protagonizam sua obra.

Perfil do artista

Jeff é daltônico e pinta desde a infância motivado pela sua mãe, Lucilene Mendes. É no Barro, onde vive e mantém seu ateliê, na Zona Oeste do Recife, e em outras comunidades periféricas que ele encontra seu material poético.

A dedicação em usar seus pincéis evidencia os traços estéticos das gentes simples que compõem o tecido urbano de áreas vulnerabilizadas.

“Eu sou um artista de periferia. Nasci e me criei nas quebradas. É onde eu quero viver, respirar e vivenciar, é de onde vem minhas referências, onde meu coração pulsa mais forte. Eu preciso estar nos lugares onde vivem famílias pretas. Eu sou muito influenciado por esse contexto que eu nunca vi representado nos museus. Foram lugares negados para o nosso povo”, declara o artista, que acaba de retornar de uma residência artística em Portugal.

O artista já teve obras expostas em países como França e Inglaterra e conquista cada vez mais atenção do público e crítica, despontando como um dos principais nomes das artes visuais do Estado e do mercado de arte contemporânea brasileira.

A escolha dos profissionais que atuam no projeto, a seleção da monitoria da exposição, assim como a programação cultural paralela têm como protagonistas pessoas negras. A exposição contará, ainda, com legendas em braile e QR code com a audiodescrição das peças, que destacam os traços e biotipos de crianças, jovens e adultos negros que entrecruzam o caminho do artista.

AGENDA DO PROJETO:

O projeto traz, ainda, uma série de atividades que abarcam outras linguagens e manifestações artísticas da cultura negra, como dança, literatura, teatro, capoeira e hip-hop, além de visitas guiadas com o artista e curador.

Nomes como a poeta e cantora Bione, Grupo Legado Capoeira, do Barro, Balé da Cultura Negra do Recife e o núcleo de pesquisa teatral O Postinho fazem parte da programação paralela. Veja as datas e horários no site da CAIXA Cultural.

FOTOS (Shilton Araújo)

Jeff Alan Crédito_ Shilton Araújo IMG_1813