Audiência no TJ-RJ nesta quarta-feira (9), julgará Cedae pela falta d’água

Moradores relatam estar sem água desde o dia 15 de novembro - Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Audiência especial, marcada para acontecer nesta quarta-feira, 9, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, pede que a Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) regularize o abastecimento de água nos mais de 20 bairros da capital e em alguma cidades da Baixada Fluminense. O requerimento aconteceu por parte da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e Ministério Público, afim de sanar os prejuízos da falta d’água relatados desde o dia 15 de novembro por moradores.

Essa nova ação cobra que seja apresentado um cronograma de medidas para a regularização do abastecimento regular de água de toda a área do município do Rio de Janeiro. Além disso, pede a garantia do abastecimento com o fornecimento ou reembolso de caminhões-pipa.

Luciana Campos Trindade, 39 anos, professora da rede estadual de ensino e moradora do sub bairro Boa Esperança, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, relata que desde o dia 24 de novembro realiza o controle de água em sua casa. “Desde esse dia, só foi entrar um pouco de água na madrugada de segunda (7) para terça (8), mas, na quarta-feira voltamos a ficar sem”, relata Luciana.

Situação parecida acontece na comunidade de Parque Itambé, em Ramos, Zona Norte do Rio de Janeiro. O líder comunitário, Matheus Silveira fala que desde a madrugada do dia 2 de dezembro os moradores começaram a perceber a falta d’água. “Temos que pegar água no poço em alguns dias e em outros dias a água cai, de forma fraca, na caixa d’água. Tomar banho de balde virou rotina”, expressa.

Caixa com a única água que entrou pela CEDAE na casa de Luciana – Foto: Arquivo Pessoal

Morando com seu pai, de 72 anos e sua mãe, de 66 anos, Luciana afirma que a situação só não está pior, pois, receberam ajuda de um vizinho e também compraram um caminhão pipa. “No dia 28, um vizinho encheu uma de nossas caixas d’água com o auxílio de uma bomba. No dia 3 de dezembro, compramos um caminhão de cinco mil litros por 280 reais”, diz Luciana.

Tal gasto equivale a mais que o dobro do que vem normalmente a conta de água em sua casa. “A conta que vence em dezembro veio R$101,51. A gente ainda tem condições de comprar, imagino a situação de quem não tem”, completa.

Coletivos de favela e Defensoria Pública do Rio de Janeiro querem saber onde está faltando água

Afim de pressionar os órgãos públicos para sanar esse problema da falta d’água, os coletivos Maré Vive, Maré 0800, Palafita 174, Papo Reto e Coletivo Marginal organizaram um questionário on-line para os moradores responderem onde está sem água. O formulário é simples e a pessoa leva menos de um minuto para responder sobre a favela onde mora e o período que não entra água em sua casa.

Outra forma de informar a falta d’água em seu território é respondendo o questionário criado pela Defensoria Pública junto ao Ministério Público. “Acesso à água encanada é um direito crucial para a contenção do coronavírus. Por isso, queremos saber se onde você mora está tendo problema de abastecimento de água. Precisamos ter essas informações para podermos atuar visando acabar com a falta de água”, afirma o texto de chamada para o formulário on-line.

Para acessar o questionário dos coletivos clique aqui.

Para acessar o questionário da Defensoria clique aqui.