Uma greve geral histórica

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Desde que o governo ilegítimo de Michel Temer assumiu a presidência da república com a confirmação do golpe que a presidente Dilma sofreu em 2016, sua equipe econômica vem nos bombardeando com projetos que retiram direitos das mais diversas áreas. Vemos tentativas de acabar com o direito do trabalhador ao emprego, a uma jornada de trabalho justa e até mesmo de se aposentar, entre outras medidas austeras que vão impactar principalmente as pessoas de baixa renda. Embalada por centrais sindicais, movimentos sociais e grupos independentes, uma greve geral foi convocada para todo o país no dia 28 de abril. Há décadas uma greve de tamanha amplitude não era convocada. Segundo notícias oficiais, cerca de 40 milhões de trabalhadores cruzaram os braços contra as tais reformas do governo Temer.

Faço parte de um bloco musical que desde 2012 vai às ruas para denunciar e protestar principalmente contra os desmandos e trapaças da política no Rio. Cinco anos atrás, já denunciávamos os governantes da cidade e do estado do Rio de Janeiro. O empresário Eike Batista, inclusive, foi um dos nossos alvos por causa da concessão que o permitia explorar comercialmente o Maracanã e a Marina da Glória. Desde então, o BlocAto é figura sempre presente nos atos e manifestações.

Na sexta, estávamos concentrados em frente a ALERJ aguardando a saída do séquito, quando notei que perto de nós havia alguns manifestantes vestidos de preto. Vi que eram black blocs e me preparei para o pior. O cerco policial era considerável e alguns desses BBs, de fato, foram provocar os PMs que estavam nas escadarias da ALERJ. Quando os carros de som saíram para a passeata em questão, uns dois ou três mascarados acenderam rojões em direção aos policiais e isso foi a senha para o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro iniciar um dos ataques mais brutais já vistos num ato político no Rio. Foram muitos momentos de pânico. Numa manifestação repleta de pais e mães com filhos pequenos e pessoas com idade mais avançada, é inacreditável ver a falta de sensibilidade das forças policiais que, para reprimirem uma minoria que os ataca, detonam dezenas de bombas indiscriminadamente e aleatoriamente.

Começava ali a caça de policias do Choque a manifestantes mascarados ou não, pacíficos ou não. Fomos sendo atacados por trás da Candelária até a Praça Tiradentes. A todo momento, gritos, correria e nuvem de gás de pimenta e gás lacrimogêneo. Eu, que estava com o estandarte do bloco, passei por maus bocados sob o ataque da PM. Quando finalmente chegamos na Praça Tiradentes, ouvia relatos de violência do Choque e de atos de depredação. Recebia fotos via celular dos primeiros ônibus queimados e depoimentos de pessoas desesperadas por causa da violência generalizada. O bloco ia em direção a Lapa quando fomos informados que os PMs cercaram a Lapa e que atacavam manifestantes. Eles impediam que pessoas chegassem na Cinelândia para que o ato não enchesse mais do que já estava, numa clara tática de dispersar a manifestação. Decidimos então seguir em direção a Praça Cruz Vermelha. Finalmente, depois de quase quatro horas, conseguimos finalizar a nossa participação no ato. Voltei para a Cinelândia uma 20h e o cenário era de uma verdadeira guerra urbana. Ônibus incendiados, pontos de VLT quebrados e algumas lojas destruídas. Ou seja, tudo culpa dessa PM despreparada e violenta.

Amanhã vai ser maior!

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Ativista e produtor cultural, trabalha na área musical desde 1990. Realiza com coletivos várias ocupações político culturais pela cidade, como Ocupa Lapa, O Passeio é Público , Ocupa Marina da Glória, e Ocupa MinC RJ.