Um ano de luto está acabando

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Olhando daqui do alto do morro, observo o alvoroço do clima festivo de final de ano – as pessoas felizes e gastando o pouco que ainda têm, numa euforia momentânea e passageira, ainda que se saiba que, em janeiro, já teremos os reflexos de tudo.

Estamos em tempos ruins e muito difíceis, em que as pressões financeiras têm aplacado milhares de pessoas sem uma solução. O Estado do Rio de Janeiro vive um dos piores momentos da sua história, os cidadãos mais pobres têm sofrido mais ainda, num abandono total e sem precedentes.

Aqui na favela do Complexo do Alemão, tenho visto semblantes de dor e sem esperança, moradores sem perspectiva, vivendo num vazio total de falta de vontade até de viver, sofrendo as mais terríveis atrocidades, sob um descaso total das autoridades governamentais. O abandono é visível em cada canto do morro: obras inacabadas, que tinham uma importância social, urbana e de mobilidade, hoje totalmente destruídas, milhões que foram investidos indo pelo ralo de forma covarde. O que antes era uma possibilidade hoje é uma triste realidade, com o agravante da ausência do atendimento básico à saúde e outros aspectos mais – enfim, o caos.

Nesse final de ano, não temos nada a comemorar, nem um motivo sequer para festejar – só perdas irreparáveis e o sentimento de que fomos roubados e iludidos. A nossa única luz no fim do túnel é o fato de que o ano de 2018 é um ano eleitoral e podemos tentar mudar algo nesse cenário nefasto. É nossa obrigação buscar uma consciência política e votar melhor no ano que vem.

Precisamos mudar essa realidade. Isso só depende de nós.