Rodas culturais: organizadores e secretário debatem repressão

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Créditos: Felippe Massal/ RCO Filmes

Apesar das luzes apagadas e fechado, para aqueles que viam de fora, o Circo Voador estava em efervescência no último dia 10. Ali reunidos estavam cerca de 60 organizadores de rodas culturais do Rio de Janeiro para debater, junto ao secretário estadual de esporte, lazer e juventude do estado Thiago Pampolha, o avanço na legislação estadual na garantia da livre ocupação do espaço público e liberdade de expressão pelo movimento de rodas culturais de hip hop.

Os produtores apresentaram os diversos problemas enfrentados para a realização de uma Roda Cultural e a preocupação com a marginalização crescente desse movimento que, há quase uma década, se apresenta como uma outra possibilidade de vida para os jovens das periferias com acesso a inúmeras linguagens artísticas (música, dança, pintura, poesia) e esportivas (skate, basquete) em um ambiente de liberdade de expressão.

Há tempos, não é novidade a repressão às rodas pelas forças de segurança do Estado e ameaças de organizações paramilitares. Contrariando aos avanços de entendimento das secretarias de governo e câmaras legislativas sobre a relevância desses encontros, os agentes de segurança muitas vezes ainda se recusam a expedir a Declaração de Nada a Opor solicitada pelos organizadores.

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Créditos: Felipe Massal/RCO Filmes

Muitos batalhões de Polícia Militar se amparam numa interpretação restritiva do decreto nº 45.551/2016, que desobriga reuniões públicas para manifestação de pensamento da autorização prévia das forças de segurança do estado para sua realização. E é no sentido de clarificar essa interpretação que, desde o ano passado, o movimento tem se articulado em torno da mudança da redação de leis que dificultam a questão.

Júlio César, organizador da Roda Cultural do Terreirão, resumiu bem o espírito do encontro:
– A reunião foi emblemática. Mobilizamos um número significativo de rodas culturais pra discutir o papel da polícia diante do movimento das rodas, que cada vez mais sofrem perseguição da polícia. Somos encontros pacíficos que promovem cidadania cultural, lazer e o protagonismo de uma massa de jovens marginalizados.

Segundo os presentes, o secretário Thiago Pampolha assegurou que o assunto já está encaminhado junto à Casa Civil e que nesta semana um novo decreto já deve ser publicado.