“Ração humana” e “banho de loja”: quem é o pior?

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Créditos: Fabio Motta / Estadão

2017 ficará marcado como a ano em que dois políticos nefastos assumiram o governo das duas principais capitais do país. A pergunta que fica no ar é a seguinte: qual o prefeito mais nocivo para a sua cidade? Crivella, que, pra resolver o problema da Rocinha, disse que iria dar um “banho de loja” na favela, ou Dória, que, pra alimentar as camadas mais humildes de São Paulo, teve a brilhante ideia de criar a “ração humana”?

Semana passada, os dois alcaides das duas maiores capitais brasileiras se encontraram em São Paulo para lançar um aplicativo de táxi – como se nossos problemas se limitassem a andar de carro.

No Rio, temos um prefeito que acha que ainda está em campanha política, a julgar pela quantidade de factoides que divulga. Logo no começo do seu mandato, caiu uma chuva de verão na cidade, deixando vários bairros submersos. Vale lembrar que o chefe da Defesa Civil, ao perceber a proximidade da tempestade que cairia no Rio, em vez de montar uma força tarefa para resgatar pessoas, foi para casa se abrigar. E a promessa de murar as escolas da rede municipal do Rio de Janeiro com uma “argamassa a prova de balas”? Lembram disso?

Em São Paulo, as coisas também não estão muito boas. Dória faz questão de apagar as iniciativas do prefeito anterior por puro capricho, revanchismo e ressentimento. Sua primeira grande ação foi se fantasiar de gari (com todo respeito à categoria) e apagar os murais de grafite da Av. 23 de Maio, famosa pelos paineis que adornavam as paredes da via. Outra grande preocupação do prefeito paulistano é acabar com as ciclovias e aumentar a velocidade de veículos das marginais. Depois dessa mudança, o número de acidentes fatais nas vias públicas aumentou vertiginosamente.

Crivella que, na campanha disse que queria ser prefeito para “cuidar das pessoas”, na verdade só cuida dos seus interesses e de seus amigos. No início do ano, após uma reportagem do jornalista Caio Barbosa, que denunciava a falta de vacina contra a Febre Amarela nos postos de saúde da cidade, o prefeito exigiu a demissão do mesmo do jornal O Dia, no que foi prontamente atendido. Os professores da Rede Municipal de Ensino, que sempre receberam um adiantamento do 13º salário, esse ano ainda não viram a cor do dinheiro. O governo diz que não sabe se terá recursos para pagar o benefício a milhares de profissionais da educação. Na área de saúde, a Prefeitura fechou diversos postos de Clínica de Família, principalmente da Zona Oeste da cidade, deixando milhares de moradores da região numa situação desesperadora.

Na área da cultura, temos o pior prefeito da história. A impressão que se tem é que ele nunca entrou num teatro, museu ou centro cultural. Há duas semanas, Crivella anunciou que esse ano não pagará os fornecedores que atendem os equipamentos culturais da cidade. A Cidade das Artes, mais uma vez, virou um elefante branco. Teatros, centros culturais, bibliotecas e lonas culturais, além do corte drástico de verbas, agora correm o risco de fechar por causa de mais um calote da Secretaria Municipal de Cultura.

São tantos absurdos que, se continuar a escrever, não paro nunca mais. Quando a gente acha que, não, as coisas não podem piorar, eis que o comandante da Guarda Municipal Coronel Amêndola avisa que o governo vai entrar com um projeto de lei, que pretende equipar toda a GM com armas de fogo.

Já em São Paulo o prefeito de lá anuncia orgulhoso o seu projeto de combate à fome. A distribuição da insidiosa ração humana para a camada mais pobre da população paulistana.

O Rio e São Paulo não mereciam isso.