Que venha 2017

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Créditos: Ale Vianna / Agência O Dia/Estadão Conteúdo

2016 ficará marcado como o ano em que a democracia brasileira sofreu o pior golpe desde 1964. Este golpe foi minuciosamente engendrado por um trio perverso. Mídia, judiciário e a classe empresarial foram os grandes responsáveis pela queda de uma presidenta eleita com 54 milhões de votos.

Como se não bastasse, uma boa parcela da sociedade brasileira tem mostrado uma preocupante tendência ao ultraconservadorismo. Um inexplicável sentimento de rancor permeia as pessoas de grupos de direita. Atendendo ao clamor desses grupos que apoiaram o golpe, o governo atual conseguiu a façanha de levar o país a um retrocesso político e social jamais visto desde o retorno da democracia nos anos 1980. De aumento de tempo de contribuição para aposentadoria a Escola Sem Partido e PEC 55, é surpreendente a velocidade com que o governo ilegítimo arrasta o Brasil para o fundo do poço.

Na área da cultura, temos ainda um ministro que sucedeu o autodeclarado golpista que, no pouco tempo em que ficou na pasta, desmontou o ministério e fundações ligadas ao setor. E o novo mandatário, que diz que ter um Ministério da Cultura é um “fetiche para poucos”?

Além de todos os retrocessos, o período agora prestes a se encerrar será lembrado no Estado do Rio de Janeiro como o ano do calote e da calamidade econômica. Milhares de servidores estaduais sequer receberam o salário de novembro. 13º: está aí um benefício que que muitos policiais, médicos, professores e bombeiros não terão nesse fim de ano. A falência econômica e moral também atingiu em cheio as chamadas UPPs, a menina-dos-olhos do ex-governador Sérgio Cabral, atualmente preso no Complexo de Bangu. O número de PMs mortos subiu assustadoramente, assim como as operações desastradas da polícia que ocasionam invariavelmente a morte de inocentes.

A cidade do Rio de Janeiro não fica muito atrás no quesito calamidade financeira. Apesar de todas as promessas de que os Jogos Olímpicos seriam um bom negócio para o crescimento econômico do Rio, o que se sabe é que estamos também à beira da bancarrota. O prefeito Paes responde a processos por improbidade administrativa e acaba de dar um calote em diversos coletivos ao não pagar o Edital do Fomento da Cultura que foi lançado em agosto.

Dito isso, é premente que 2017 terá que ser um ano de lutas. O povo da favela pode e deve ser o contraponto das passeatas conservadoras. Temos que mostrar a essa camada da sociedade que também somos bons de ir para as ruas. O povo favelado é o que mais vai sofrer com essas medidas descabidas do governo golpista. Por isso é essencial que todas as pessoas que moram nas favelas saiam às ruas e mais uma vez deixem bem claro que não aceitaremos perder direitos conquistados tão duramente!

Vem quente, 2017, que a gente está fervendo!

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Ativista e produtor cultural, trabalha na área musical desde 1990. Realiza com coletivos várias ocupações político culturais pela cidade, como Ocupa Lapa, O Passeio é Público , Ocupa Marina da Glória, e Ocupa MinC RJ.