Projetos de favela participam de ocupação cultural

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O Sarau do Alemão é um dos projetos na programação (Créditos: Divulgação)

Cinema, artes visuais, dança, teatro, performance, literatura, música, psicanálise e debates: a favela é também um dos muitos protagonistas do Que Legado, ocupação cultural que promete agitar o Castelinho do Flamengo entre 23 de março e 09 de abril. Entre os destaques da programação, estão performances do Sarau do Alemão e um curso sobre a história das favelas.

A ocupação cultural Que Legado apresenta uma variedade de atividades que mescla grupos alternativos de toda a cidade no Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho. Mais de 160 profissionais estão envolvidos no projeto, que apresenta quase três semanas ininterruptas de programação. São 22 performances, quatro saraus, nove shows e seis espetáculos, além de debates e até cortejo de fanfarra pelo Aterro do Flamengo.

– Precisamos pensar o espaço público como lugar de presença coletiva compartilhada na fala e na escuta. Ver nossos pares, mas também os pares dos outros. Que Legado vem para tentarmos dar conta, coletivamente, de respirar neste horror diário de notícias aterradoras, afirma Natasha Corbelino, uma das idealizadoras do evento.

No dia 23, o Sarau do Alemão faz sua segunda performance fora do território e leva a Mc Martina, o cordelista José Franklin e outros artistas da favela para a noite de abertura, que conta ainda com a exibição seguida de debate do filme “A Batalha do Passinho”, de Emilio Domingos. O Grupo Atiro, projeto de extensão da Cia Marginal, da Maré + Cia Multifoco, oriunda da Martins Pena, também realiza performance nos fins de semana, assim como o guia turístico e ativista da Providência Cosme Felippsen, do Rolé dos Favelados. O Museu das Remoções, que busca resgatar a memória de comunidades removidas pela cidade, apresenta uma exposição.

Dialogando com o cinema de periferia, o Cineclube Mate com Angu, de Duque de Caxias, realiza uma sessão especial. “Pescadores da Maré”, curta-metragem de Josinaldo Medeiros sobre os antigos profissionais de pesca da favela, também está na lista de exibições. Ainda durante a ocupação, moradores de favela realizam o curso “Histórias Vivas – O histórico de resistência das favelas do Rio de Janeiro”, que acontece durante três sábados, de 10h às 15h.

Também estão na agenda de Que Legado três debates: “Como criar estratégias de resistências nas micropolíticas?” (26/03), com Angela Leite Lopes, Mauro Sá Rego Costa, Hélia Borges, Luciana Hidalgo, “Orçamento e legado olímpico no RJ” (01/04), com Luciana Boiteux, Reimont Ottoni e Natalia Trindade, e “Mídias alternativas… Outras vozes” (08/04), com representantes dos coletivos Mídia Ninja, Caneta Desmanipuladora e A Mareense.

 

Serviço:
Ocupação cultural Que Legado
Data: de 23 de março a 09 de abril
Endereço: Castelinho do Flamengo – Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho (Praia do Flamengo, 158, Flamengo)
Entrada franca.