Projeto lança mosquito da dengue em Manguinhos para combater a doença

Agentes comunitários do Eliminar a Dengue: desafio Brasil explicam o projeto durante palestra aos moradores de Manguinhos. (Créditos: Danielle Policarpo / ANF)

A Favela de Manguinhos recebe uma ação importante no combate à dengue. O projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil, da Fiocruz, vai lançar mosquitos na comunidade portadores da bactéria Wolbachia, que bloqueia a transmissão do vírus no inseto. A ação foi divulgada durante uma palestra para moradores em 06 de dezembro.

Trazido ao país pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e apoiado pelo Ministério da Saúde, Eliminar a Dengue: Desafio Brasil integra a iniciativa internacional sem fins lucrativos World Mosquito Program, aplicada na Austrália, Colômbia, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietnã, Ilhas Fiji, Kiribati e Vanuatu.

A iniciativa tem como objetivo substituir os Aedes aegypti que transmitem dengue, zika e febre chikungunya por mosquitos da mesma espécie com Wolbachia. Já há estudos que buscam comprovar que a bactéria Wolbachia também ajuda no combate à febre amarela transmitida pelo Aedes aegypti.

O projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil acontece desde 2014 e atualmente está em curso em sub-bairros da Ilha do Governador, como Cidade Universitária, Galeão, Jardim Carioca, Jardim Guanabara e Portuguesa, e em Cordovil. A próxima área atendida é Manguinhos. A expectativa é reduzir em 99% as doenças no território, que pode ficar imune delas por 100 anos.

Também devem receber as ações outros bairros e favelas do Subúrbio da Leopoldina. Estão na lista Complexo do Alemão, Bonsucesso, Brás de Pina, Olaria, Penha, Penha Circular, Ramos, Colégio, Irajá, Vicente de Carvalho, Vila da Penha, Vila Kosmos e Vista Alegre.

 

Como funciona

Armadilha para capturar mosquitos Aedes aegypti. (Créditos: Danielle Policarpo / ANF)
Armadilha para capturar mosquitos Aedes aegypti. (Créditos: Danielle Policarpo / ANF)

Cerca de um mês após o início das liberações de Aedes com Wolbachia, começa o monitoramento da população do mosquito. Armadilhas são instaladas na casa de moradores voluntários. Os técnicos do projeto visitam semanalmente essas residências para fazerem a coleta dos mosquitos que serão enviados para o laboratório, com objetivo de verificar a porcentagem de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia em cada área.

As liberações acontecem nas primeiras horas da manhã e são feitas pela equipe de agentes comunitários, de carro ou a pé.