Pelo direito à vida em fruição

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Créditos: Reprodução Internet

O Natal já está ai – a data em que se comemora o nascimento de Cristo e através da qual o ”capetalismo” introjetou nas nossas veias o consumo. De presentes caros a comida em excesso, percebe-se que avareza, gula e luxúria são alguns dos sete pecados capitais que ficam em alta nessa época.

Sou um daqueles que nasceu em meio a isso tudo, na madrugada da véspera de Natal, pra ser mais exato. Nem sempre ganhei tudo que queria, mas já recebi dois presentes, sim. Agradeço, pois, no contexto em que estou inserido, isso é um privilégio. Chegar amanhã aos 27 anos com a vida que tenho hoje também é um privilégio. Não deveria e não é normal que seja assim, apesar de esta ideia atualmente ser tida como normal.

Na semana passada, a funkeira Tati Quebra-Barraco perdeu seu filho Yuri Lourenço, de 19 anos, durante uma operação policial na Cidade de Deus. Jean Rodrigues, de 22 anos, também foi assassinado. A vida não é direito, é só um detalhe.

Estamos chegando a 2017 e ainda não temos liberdade para Rafael Braga. Enquanto isso, uma onda retrógrada de conservadorismo cresce no mundo, num período em que as camadas que cresceram à margem da sociedade esclarecida começam a ganhar mais espaço e clamar por representatividade. Soa como uma espécie de apego à figura do militar autoritário enquanto figura de liderança masculina.

Todavia, houve bons frutos e grandes destaques, principalmente por parte da juventude preta favelada e/ou periférica, que trazem alguma esperança e que nos faz pensar que “não foi tão ruim assim”. É uma pena que, em termos quantitativos, ainda seja pouco.

Esperamos que a juventude não seja privada de seu maior direito: o da vida. Em um momento em que a dimensão do sentir é ampla e se buscam diversas experiências para se descobrir e redescobrir, é necessário que pulse vida. Isso é fundamental principalmente para os jovens que vão cruzar os caminhos para o futuro e terão em mãos ferramentas para todas e todos avançarem.

Que realmente seja Natal.