Outubro rosa: câncer de mama e fanatismo religioso

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Minha mãe me criou na Assembleia de Deus. Devo confessar que a instituição a ajudou bastante a se afastar de uma vida sem limites e das drogas. Em 1993, nos tornamos pentecostais. Eu tinha 3 anos quando fui batizado com Espírito Santo e com fogo. Tinha visões e falava em línguas angelicais. Amo os louvores da harpa cristã e minha experiência nessa denominação. Mas existe uma situação que se repete no nosso meio, infelizmente.

Em 2005, surgiu um carocinho na axila da minha mamãe – o tamanho de uma ervilha, talvez. Eu tinha 15 anos nessa época. Minha mãe disse não ser nada, mas o caroço foi crescendo e crescendo… Sentia fortes dores, que dizia passar com orações. Estava na cara que se tratava de um quadro de câncer de mama. Ela se recusava a ir ao médico. Dizia que Jesus ia lhe curar. “Profetas” e “profetizas” diziam insistentemente que Jesus curava e que ela estava nas mãos do Senhor.

Até que um dia minha amada irmã em Cristo, irmã de consideração, a Missionária Edna, chegou lá em casa e praticamente arrastou minha mãe para o Hospital Mário Kroeff, na Penha. Diagnóstico confirmado: câncer maligno. A quimioterapia começa – queda de cabelo, dor, choro, enjoo, fraqueza… Ali, eu conheci o verdadeiro demônio.

A quimio não resolveu. Passou para a radioterapia – peito queimado, machucado, atrofiamento da mama. Algumas irmãs da igreja a ajudavam. As internações passaram a ser frequentes. Já não conseguia andar direito.

Eu não sabia o que estava acontecendo ao certo. Era um adolescente de 15, 16 anos que ainda não tinha tido tempo pra ter seus próprios problemas que queria resolver o problema da minha mãezinha.

Ah, mãezinha… Ai, coração! Ai, dor! Quem conheceu a Irmã Rosa Felippsen sabe o quanto ela era amada. Com ela, não tinha caô. Andava descalça na Favella, falava com todos e todas.

Na sua última internação, eu tinha 17 anos. Menti dizendo que tinha 18 para poder acompanhá-la na enfermaria. No dia 24 de setembro de 2006, às 23 h, eu estava cochilando ao lado do leito de dor. Os enfermeiros me chamaram e constataram sua subida para o seio de Abraão. Para as mansões celestiais. Para a Glória!

Com esse relato, quero pedir a todas minhas irmãs em Cristo Jesus e todas as outras, de todas religiões, ou mesmo sem religião, que se toquem. Façam o autoexame.

Saibam que seus homens e suas mulheres te amam.