O horror

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Semana passada, fomos testemunhas de alguns fatos que nos mostram como a sociedade brasileira caminha a passos largos para o fascismo mais descarado em toda nossa história. Antes de falar do jovem que foi torturado por um tatuador em São Paulo, quero tratar de um fenômeno que tem acontecido regularmente aqui no Brasil: profissionais que se recusam a atender pessoas por causa de gênero, ideologia ou problemas de saúde. O que dizer da médica que omitiu socorro a um bebê no bairro do Recreio semana passada? Negou atendimento porque estaria na hora de ir embora e, aos berros, dizia que “não era pediatra”.

Outro caso bastante horrível foi o de um médico ginecologista em São Paulo. Uma paciente foi fazer uma consulta comum e quando ela disse que trabalhava na cozinha de um sindicato ligado à CUT, o médico surtou, fazendo xingamentos a políticos de partidos de esquerda e sendo extremamente agressivo no atendimento.

Ainda na semana passada, um menino de oito anos, que estava acompanhado de seu pai, foi interpelado por um segurança de um supermercado na Zona Sul. O funcionário achou suspeito uma criança negra comprar chocolates no estabelecimento – desconfiava de que fosse ladrão.

E ainda tem por aí imagens de duas festas em colégios particulares com a temática “Se nada der certo” em que adolescentes tripudiaram de profissionais que prestam serviços básicos como faxineiros, frentistas e atendentes de lanchonetes. Já houve casos de alunos que se fantasiavam de integrantes da Ku Klux Klan – apenas como brincadeira, segundo educadores.

A cereja do bolo foi o caso do adolescente paulista Ruan. Já se sabe que o rapaz é dependente químico e que também tem problemas psicológicos. O jovem foi acusado de roubar uma bicicleta de um deficiente físico no ABC paulista. A suspeita causou a fúria de dois valentões, o tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis e o pedreiro Ronildo Moreira de Araújo, que decidiram pegar o suposto assaltante e fazer justiça com as próprias mãos. Acharam o menino, o prenderam em cárcere privado por três dias e tatuaram na testa do rapaz a seguinte frase: “Sou ladrão e vacilão”. As cenas foram publicadas em uma rede social. Dessa vez, a justiça agiu rápido e uma juíza decretou a prisão dos dois ditos “cidadãos de bem”.

Felizmente, ainda resta um pouco de esperança para a humanidade. Um vizinho que conhece a família do rapaz, criou uma campanha de arrecadação coletiva e conseguiu juntar os 15 mil reais necessários para o jovem fazer a remoção da tatuagem e apagar a infame frase – para o ódio de algumas pessoas, que agora ameaçam o autor da campanha.

Ou seja, lá vai o Brasil descendo a ladeira, caminhando a passos largos para o fascsmo.