O fascismo avança. O que fazer?

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Créditos: Bruno Bou / CUCA da UNE

Vocês viram algum esforço, da mídia ou da polícia, para identificar quem queimou os seis ônibus, tão próximo ao Quartel General da Polícia Militar, no dia da Greve Geral? Alguém pediu imagens das câmeras de segurança da região? As câmeras dos ônibus queimaram junto? Onde ficam os arquivos? Por que será que nunca prendem alguém depredando? Vocês lembram do caso do Riocentro? Por que na manifestação do dia 01 de maio correu tudo em paz na Cinelândia?

São perguntas tão tolas de uma pessoa? Nada é mais antigo que a infiltração em movimentos para a prática de atos violentos com o objetivo da desqualificação. Mas parece que todos nasceram ontem e que as práticas de nossos órgãos de segurança são absolutamente confiáveis, sempre e inquestionavelmente.

Estamos naturalizando absurdos em uma sequência impressionante. Policiais invadindo residências nas favelas para montar base. Comando da Polícia dizendo que não há nada demais, porque a maioria das casas está vazia. Bombas atiradas sobre uma multidão de 50 mil pessoas porque uma dezena atirou pedras na polícia. Rafael Braga condenado a 11 anos de prisão. Tiroteio em porta de escola… Ou seja, é muito absurdo cotidiano para a gente assimilar.

Mas precisamos fazer um esforço e compreender: o fascismo avança, e o faz sobre as mentes, de ricos, medianos e pobres. O fascismo e a repressão têm a mídia como instrumento de manipulação narrativa. A violência se amplia terrivelmente. As instituições não dão conta de nada, absolutamente nada. E os movimentos civis estão perdidos, carentes de inovação estratégica.

O que fazer, gente? O que fazer?

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Dramaturgo, diretor teatral, ator, educador e ativista cultural. Escreveu e dirigiu o espetáculo "Mundo Grampeado - Uma ópera tecno-tosca" entre outras produções da Cia Monte de Gente, fundada em 2006. Participa ativamente do movimento Reage Artista e foi um dos articuladores do Ocupa Lapa. Coordena, desde 2015, o projeto Ocupa Escola, que atua em 25 escolas municipais do Rio de Janeiro levantando a bandeira "Toda escola é um centro cultural". É também idealizador do Facedrama, ferramenta de dramaturgia coletiva online. É autor das peças "Entregue seu coração no Recuo da Bateria", "Um de Nós - A Saga quase olímpica de um judoca iraniano" e do musical infantil "Aninha contra o Feiticeiro de Lixoxxx"