Nós por nós (e por outros)

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Equipe do projeto Bagagem. (Créditos: Reprodução Internet)

Rafael Braga foi pra casa, mas ele ainda não está livre. A história que repercute no país desde 2013 só resiste por conta de toda a mobilização em torno do caso.

Espera-se que o estado nos defenda, que faça valer os direitos humanos e que coloquem em prática o que está nas poucas leis que ainda nos asseguram a vida. Nós entendemos como sobrevivência, que era preciso levantar e ir para a rua, entender, estudar e fazer mais que barulho. Era preciso criar estratégias para trazer a perspectiva para a realidade.

Os números crescentes do genocídio, feminicídio, o extermínio LGBT, a pedofilia acelerada e descarada, a xenofobia no dito “país livre”. Para cada luta, há alguém batalhando e dizendo: “Não! Aqui não haverá silenciamento”.

Ligue a TV e você ouvirá apenas barulho. É o que querem mostrar. Gás lacrimogêneo, prisões sem acusações concretas e o favelado sendo representado pela personificação do crime organizado, da miséria, da carência.

Aliás, quem disse que somos carentes ainda não viu nossa potência de transformação. Entendemos que, se eles não fazem, agora somos nós por nós e por tantos outros.

Jacarezinho, Manguinhos, Duque de Caxias, Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Complexo da Maré. Cada território mencionado apareceu recentemente nos noticiários. Foram mencionados nos maiores veículos de comunicação do país. Acompanhei cada matéria, cada morte anunciada e contabilizei cada dia de tiroteio ininterrupto – cada mentira dita na frente das câmeras como forma de abafar a realidade.

Eles nos descrevem como lugares de conflitos ou nos colocam como ponto turístico – afinal, quem nunca subiu o Vidigal? Parece tudo muito pontual, mas não é. Aprendemos não só a driblar, mas potencializar para quebrar o sistema. São “os cria” que desenvolvem métodos para além da sobrevivência. Nós somos resistência.

É nisso que acreditam algumas pessoas extraordinárias. Posso citar algumas: Jéssica, de Nova Iguaçu, com o projeto Bagagem. Joelma, do Complexo do Alemão, com a Jojo Serviços. Juliana Henrik, do Complexo do Alemão, com o Favela é Fashion. Elaine Rosa, da Pavuna, com a Feira Crespa. Redes da Maré – Somos Todos Maré…

Algumas empresas também entenderam que são potencializadores e auxiliam vidas através de seus conhecimentos e oportunidades. É o caso do colaborador da ANF Joel Luiz Costa, do Jacarezinho, com o escritório Joel Luiz Costa Advogados Associados. Também do Shopping Nova América, em Del Castilho, e o projeto Plantando o Amanhã, sob gestão da Cruzada do Menor. Não podemos esquecer ainda a 1STi com o Precisa Ser, o Vai na Web e o StartupIN Favelas.

Para cada vida que tentam derrubar, outras se levantam para mostrar que temos voz e que desistir não faz parte do processo. Nunca fez e nunca fará!

#PelaLiberdadeDosNossos