Não caia no fundo do poço

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Créditos: Reprodução Internet

Muitas vezes, nós nos encontramos em uma situação que chamamos “o fundo do poço”. São momentos que não nos deixam enxergar as oportunidades e pessoas que podem nos ajudar a sair dali. Mas isso só acontece porque dentro de cada um de nós existe um sabotador.

O fundo do poço não começa quando você está lá, e, sim, desde criança! Mas, aí, você me pergunta: “Como assim, desde criança?”. Vamos lá: existe dentro de nós um depósito de inteligência emocional, e durante nosso desenvolvimento, na nossa infância, essa inteligência emocional é acionada por meio da audição, visão e sentimentos após contato físico. Isso se chama programação mental.

O agravante de tudo isso faz com que nós mesmos venhamos a nos sabotar pela “crença entidade”, que é o que cria o bloqueio. Toda vez  você diz que uma criança é um perturbada, que ela não faz nada direito, que ela é pobre, que ser alguém na vida é só para quem tem dinheiro ou qualquer outra palavra desmotivadora, essa criança vai guardar isso. Pior: crescerá acreditando nisso.

Se você quer que seus filhos, sobrinhos e todas as outras crianças cresçam e sejam vencedores, motive-os! Fale para eles coisas positivas, que guardem na mente e que os façam lembrar, quando estiverem pertinho do fundo do poço, que ele é tudo aquilo que ele ouviu a vida inteira – que ele é um vencedor.

É assim que a Mariluce Mariá vem fazendo com as mais de 180 crianças que ela atende no projeto Favela Art, que recentemente foi notícia aqui no portal da ANF ao participar de um evento em Santa Teresa. Há três anos, vem mostrando a todas que não existe fundo do poço se você não chegar lá perto. Com essa estratégia, ela conseguiu fazer com que muitas crianças voltassem a estudar e acreditar que elas são capazes de serem qualquer coisa na vida – basta programar o que se quer ser. Com os adolescentes, o trabalho é mais complexo, de choque de realidade e reprogramação. Ela sempre pergunta: “você quer viver ou morrer antes de se tornar adulto?”. Eles sempre respondem: “eu não quero morrer criança”. Muitos adolescentes na favela perderam a infância, por isso é necessário devolver esses momentos para eles.

Assim como acontece aqui no Alemão, várias outras favelas e locais da Baixada Fluminense sofrem por não terem pessoas que possam ajudar crianças e jovens a se libertarem dos dogmas que a maioria dos adultos acredita e repassa para seus sucessores. Mas é preciso resistir: não caia no fundo do poço, elimine seu sabotador interior.